Pular para o conteúdo

Menina munduruku ferida por onça no Pará continua na UTI em estado grave

A criança de 8 anos foi atingida na cabeça perto de um igarapé na Terra Indígena Munduruku; o resgate levou horas.

WhatsApp Facebook X Telegram
Onça-pintada vista de perfil, com a cabeça entre o capim alto e o fundo verde desfocado
Onça-pintada em meio à vegetação — Imagem ilustrativaFoto: cmart29/Pixabay

Resumo

  • Menina munduruku de 8 anos atacada por onça no sábado (17) segue em estado grave na UTI em Itaituba
  • Socorro combinou voadeira e avião monomotor da Sesai; o voo até Itaituba durou 2h20
  • Sespa diz que não vai divulgar detalhes do atendimento; família acompanha a recuperação

Três dias depois de ser ferida por uma onça numa aldeia de Jacareacanga, no sudoeste paraense, a menina munduruku de 8 anos segue em estado grave, internada na UTI do Hospital Regional do Tapajós, em Itaituba. A informação foi dada nesta terça-feira (20) por um tio da criança, Ivair Datie Munduruku.

“Está um pouco crítico o estado de saúde dela. […] Os médicos disseram que ela pode voltar a viver (se recuperar), mas vamos esperar o tempo de recuperação dela”, contou o tio. Segundo ele, os pais da menina, que não falam português, acompanham o tratamento no hospital. A Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa) informou em nota que não vai divulgar detalhes sobre o atendimento.

Como foi o ataque

O caso aconteceu na manhã de sábado (17), por volta das 7h30, na aldeia Cajual. De acordo com o relato do tio, a menina estava na roça com os avós e se afastou alguns metros para beber água num igarapé. Foi ali que a onça avançou. Os avós ouviram os gritos, mas, quando chegaram, a criança já estava desacordada. Os ferimentos atingiram principalmente a cabeça.

Um morador da comunidade, Odailson Munduruku, deu uma versão um pouco diferente: segundo ele, a menina estava com os pais e foi buscar água a pedido da mãe; o pai teria corrido até o local e afastado o animal. Os dois relatos coincidem no essencial: o ataque ocorreu perto do igarapé, enquanto a família trabalhava na roça.

Depois do ataque, a onça foi seguida pelos moradores até se esconder num buraco e acabou capturada e sacrificada diante da aldeia, como manda a tradição do povo Munduruku.

Resgate de voadeira e avião

Levar a menina até um hospital foi uma operação longa. O primeiro atendimento ficou a cargo da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, que mandou um agente de saúde numa voadeira, barco a motor rápido usado nos rios da região. O avô da criança, que também é agente comunitário de saúde indígena, ajudou nos primeiros socorros.

Da aldeia, a voadeira navegou até um ponto com pista de pouso, onde esperava um avião monomotor enviado pela Sesai. O voo até Itaituba, a cerca de 400 quilômetros de Jacareacanga, durou 2 horas e 20 minutos. No hospital, a menina passou por cirurgia, considerada bem-sucedida, mas continua na UTI pela gravidade dos ferimentos.

Comunidade abalada

O tio disse que o caso comoveu os Munduruku. “Todo mundo ficou triste, todos os Munduruku ficaram tristes ouvindo o que tinha acontecido. Inclusive, a notícia se espalhou rápido nas redes sociais”, afirmou.

Itaituba, a cidade onde a menina está internada, fica a mais de mil quilômetros de Belém e a cerca de 400 quilômetros de Jacareacanga. Entre a aldeia e o hospital, o socorro precisou combinar barco e avião, num trajeto que levou horas.

ParáMundurukuOnça-pintadaPovos indígenas

Siga o Fato em Dia YouTube Instagram TikTok

Direitos de imagem: se você é autor de uma imagem ou vídeo desta notícia, fale com a gente.

Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.

Últimas de Brasil

Ver tudo