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SUS passa a distribuir nove remédios contra o câncer em 17 estados

Oferta começa em 20 centros de tratamento e deve chegar a todo o país até dezembro; ministério prevê atender mais de 116 mil pacientes.

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O ministro Alexandre Padilha, de jaleco branco do SUS, fala ao microfone numa comissão da Câmara
Foto de arquivo: O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em audiência na Câmara dos DeputadosFoto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Resumo

  • Ministério da Saúde começa a oferecer nove medicamentos oncológicos no SUS a partir desta semana.
  • Os remédios cobrem 13 indicações, entre elas câncer de mama, próstata, pulmão, rim e linfomas.
  • A distribuição começa em 20 centros de 17 estados e deve chegar aos demais até o fim do ano.

Pacientes com câncer atendidos pela rede pública passam a ter acesso, a partir desta semana, a nove medicamentos oncológicos que até agora não chegavam aos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (20).

Os remédios servem para 13 indicações diferentes, entre elas tumores de mama, próstata, pulmão, rim, estômago e tireoide, além de linfomas e leucemia. A pasta calcula que mais de 116 mil pessoas possam ser beneficiadas.

Onde a distribuição começa

Nesta primeira etapa, a entrega é feita em 20 centros de tratamento espalhados pelas cinco regiões. Os estados contemplados são 17: São Paulo, Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Pará, Amazonas, Rio de Janeiro, Paraíba, Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás, Rondônia, Rio Grande do Sul, Tocantins e Sergipe. O ministério não informou quais hospitais recebem os remédios agora, e a previsão é estender a oferta aos demais serviços de oncologia do país até o fim do ano.

Vários desses produtos já constavam da lista do SUS havia mais de dez anos, mas não eram de fato entregues aos pacientes. Segundo o governo, a mudança veio com o programa Agora Tem Especialistas, criado em 2025, que reorganizou a forma como cada tecnologia chega à rede.

Quais são os nove remédios

  • Abemaciclibe: câncer de mama em estágio inicial com receptor hormonal positivo, HER2 negativo e linfonodos atingidos. Na rede particular, o tratamento pode custar R$ 366 mil.
  • Trastuzumabe: já usado no SUS contra o câncer de mama, agora também para alguns tumores no estômago e na transição entre esôfago e estômago.
  • Pazopanibe e sunitinibe: câncer de rim de células claras com metástase; o sunitinibe também serve para tumores estromais gastrointestinais (GIST) avançados depois de falha do imatinibe.
  • Abiraterona: tumores de próstata que se espalharam ou que não respondem mais ao bloqueio hormonal.
  • Gefitinibe: primeira opção de tratamento para certos tumores de pulmão do tipo “não pequenas células”.
  • Rituximabe: leucemia linfocítica crônica, linfoma folicular e linfoma difuso.
  • Acetato de lanreotida: alguns tumores neuroendócrinos.
  • TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado da tireoide em pacientes que vão receber iodo radioativo.

Ter um desses diagnósticos não garante o acesso automático. Cada remédio tem regras clínicas próprias, ligadas ao tumor, à fase em que a doença está e às características de quem vai usá-lo, e quem decide é a equipe médica responsável.

Custo e próximos passos

Só a compra dos nove medicamentos vai custar R$ 155,4 milhões por ano, de acordo com o ministério. O plano é chegar a 23 novos remédios contra o câncer até dezembro, o que, nas contas da pasta, amplia em 35% as opções disponíveis na rede pública. Para isso, o ministério passou a comprar diretamente 10 produtos, organizou uma ata de preços para que os estados adquiram outros nove e aumentou os repasses para custear os quatro restantes. O impacto total estimado é de R$ 4 bilhões por ano.

“Estamos ampliando e qualificando a rede de câncer em todo o país com o que tem de mais moderno e avançado”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O pacote anunciado nesta terça inclui ainda o rastreamento do câncer de intestino nas Unidades Básicas de Saúde. O ministério vai mandar aos estados 400 mil testes que detectam sangue oculto nas fezes, voltados a pessoas sem sintomas entre 50 e 75 anos. A implantação começa em novembro, pelas capitais e pelas cidades com mais de 500 mil habitantes; quem tiver resultado alterado é encaminhado para colonoscopia.

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