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Menos desmatamento rendeu até R$ 1,16 trilhão ao mundo, calcula estudo do Ibre

Economista da FGV estima que preservar Amazônia e Cerrado desde 2023 evitou 1,49 bilhão de toneladas de gases do efeito estufa.

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Vista aérea de mata densa às margens de um rio largo e escuro na Amazônia
Foto de arquivo: Vista aérea de floresta e rio na AmazôniaFoto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Resumo

  • Estudo do Ibre/FGV calcula em R$ 1,16 trilhão o ganho global com a queda do desmatamento desde 2023.
  • Para o Brasil, o benefício em danos climáticos evitados fica entre R$ 67 bilhões e R$ 192 bilhões.
  • Os números usam os dados do Inpe: o desmatamento caiu 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado no último ciclo.

A queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado desde 2023 pode ter gerado cerca de R$ 1,16 trilhão em benefícios para a economia mundial, na forma de prejuízos climáticos que deixaram de acontecer. Desse total, até R$ 192 bilhões ficam com o próprio Brasil. A conta é do economista Bráulio Borges, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), num estudo divulgado nesta semana.

O trabalho confronta dois períodos de quatro anos. Entre 2019 e 2022, a área desmatada nos dois biomas somou 78,9 mil quilômetros quadrados. De 2023 a 2026, foram 56,7 mil. A diferença, de aproximadamente 22,3 mil km², é o que deixou de ser derrubado. A maior parte, 21 mil km², está na Amazônia; o Cerrado responde por 1,4 mil km². Juntos, equivalem a algo um pouco maior que Sergipe (21,9 mil km²).

Como o cálculo foi feito

Borges comparou a realidade com um cenário em que o ritmo de desmate do período anterior tivesse continuado. O pesquisador explica que os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) cobrem sempre ciclos de 12 meses encerrados em julho, e a análise já incorpora os números divulgados na sexta-feira (16).

Com modelos para estimar as emissões, ele chegou a 1,49 bilhão de toneladas de gases do efeito estufa que deixaram de ir para a atmosfera entre 2023 e 2026. Esses gases, entre eles o dióxido de carbono (CO₂), são liberados nas queimadas e aquecem o planeta. As florestas em pé funcionam como reservatórios, guardando carbono na vegetação e no solo.

Para dar valor em reais ao que foi evitado, o estudo usa o chamado Custo Social do Carbono, que traduz em dinheiro o dano de cada tonelada emitida. Com base em trabalhos de outros autores, o economista adotou, no cenário central, uma média ponderada de 145 dólares para cada tonelada de CO₂. É daí que sai o R$ 1,16 trilhão.

Faixa de valores

O resultado muda conforme a hipótese. Na estimativa mais conservadora, o benefício global seria de R$ 621 bilhões. No cenário mais otimista, chegaria a R$ 9,8 trilhões. Para a economia brasileira, o estudo projeta ganhos entre R$ 67 bilhões e R$ 192 bilhões.

Segundo Borges, o benefício aparece sobretudo como dano evitado: “menos perdas de safras, menor estresse térmico sobre a produtividade do trabalho, menos eventos extremos, entre outros”. Ele acrescenta que a estimativa não inclui os efeitos diretos e regionais do desmatamento da Amazônia sobre as chuvas, a temperatura e a oferta de água no país, e lembra que a economia brasileira depende muito da água para gerar energia hidrelétrica, produzir alimentos e abastecer as cidades.

O ciclo mais recente

Os dados do Inpe que entram na análise indicam que o ciclo entre agosto de 2025 e julho de 2026 teve queda de 41,8% no desmate da Amazônia e de 23,8% no do Cerrado. A floresta amazônica perdeu 3.335 km², o menor total desde 1998. No Cerrado, a perda foi de 5.516,69 km², a menor desde 2001.

Há cerca de quatro anos, o mesmo pesquisador fez um levantamento parecido, mas no sentido contrário: o aumento do desmatamento e das emissões entre 2019 e 2022, em relação ao nível observado em 2018, teria causado perdas de R$ 1,22 trilhão à economia mundial, a preços da época. O novo estudo mostra, portanto, a conta invertida: o que o país deixa de custar ao mundo quando a floresta permanece de pé.

Os valores são estimativas de modelo e variam com as premissas adotadas, como o preço do carbono: por isso o estudo apresenta três cenários.

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