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Vigilância inspeciona hospital da Mooca após mortes de bebês; polícia apura 6 casos

Órgãos estaduais e municipais avaliam 35 óbitos no Hospital Salvalus, que nega origem infecciosa comum e diz não ter sido notificado.

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Sala de UTI neonatal vazia, com incubadoras e monitores ao lado dos leitos
Foto de arquivo: UTI neonatal, com incubadoras para recém-nascidos — Imagem ilustrativaFoto: Manu Dias/Agecom Bahia (CC BY 2.0)

Resumo

  • Vigilâncias estadual e municipal inspecionaram nesta sexta (23) o Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste de SP.
  • Os órgãos avaliam 35 mortes de bebês neste ano; a Polícia Civil investiga seis casos no 8º Distrito Policial.
  • O hospital diz que não há origem infecciosa comum e que não recebeu notificação formal.

Equipes de vigilância sanitária e epidemiológica do Estado e do município de São Paulo inspecionaram nesta sexta-feira (23) o Hospital Salvalus, na Mooca, na zona leste da capital, depois da divulgação de mortes de bebês na unidade ao longo deste ano. Os órgãos dizem avaliar as circunstâncias de 35 óbitos registrados em 2026, enquanto a Polícia Civil investiga seis casos.

O hospital, que fica na Rua Bresser, faz parte da rede Hapvida e do grupo NotreDame Intermédica. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os seis casos em apuração tramitam no 8º Distrito Policial. Os pacientes tinham de zero a três anos e, segundo a apuração, teriam pegado infecções dentro do hospital, vindo a morrer de sepse, a infecção generalizada, ou de outras complicações. As mortes foram comunicadas às autoridades na quarta-feira (21).

O que a inspeção avaliou

Os Centros de Vigilância Sanitária (CVS) e de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado, com a Vigilância Epidemiológica Municipal, examinaram como operam as alas neonatal e pediátrica, as rotinas de limpeza e de controle de infecção e os indicadores de assistência. Também checaram mudanças no perfil de atendimento, principalmente em relação a pacientes de alta complexidade.

Em nota, os órgãos informaram que toda a documentação recolhida está em análise prioritária, para orientar as medidas administrativas cabíveis, conforme a legislação vigente.

O que diz a Polícia Civil

A Polícia Civil afirmou, em nota, que a autoridade policial faz diligências, inclusive com a oitiva de profissionais de saúde e de testemunhas, e a análise integral dos prontuários médicos, com o objetivo de esclarecer as causas das mortes.

Famílias falam em ao menos 19 casos

Eduarda Fragnan Gomes, assistente jurídica de três das mães, diz conhecer ao menos 19 famílias que perderam filhos depois de cirurgias no hospital, em seis meses. Boletins de ocorrência foram registrados em cidades como Praia Grande e Itaquaquecetuba, além de outras delegacias da capital, como a da Vila Maria.

“Muitos casos ainda não foram registrados e outros ainda não foram remetidos ao 8º DP, que centraliza as investigações. São crianças que deram entrada para fazer cirurgias de má formação, digestivas ou de correção que tinham chance baixíssima de morte, mas que tiveram infecção generalizada e faleceram. As famílias estão desoladas”, disse ela. Segundo a advogada, na próxima semana outras famílias serão acompanhadas ao 8º DP para registrar novos boletins contra o hospital.

A resposta do hospital

Em nota, o Hospital Salvalus afirmou que “não recebeu notificação formal sobre os procedimentos mencionados” e que permanece à disposição das autoridades, com respeito ao sigilo médico e à privacidade dos pacientes. A instituição disse tratar os relatos “com máxima seriedade” e ressaltou que “situações clínicas distintas não podem ser atribuídas a uma mesma causa sem comprovação técnica”.

O hospital informou ainda que a unidade é referência em maternidade de alto risco e em assistência pediátrica de alta complexidade, e atende casos graves, entre eles prematuros extremos, malformações, síndromes genéticas e infecções. Neste ano, mais de mil crianças foram atendidas. Segundo a nota, as avaliações feitas até agora apontam históricos clínicos distintos, “sem identificação de uma origem infecciosa comum entre os casos examinados”.

A nota diz ainda que as alegações não valem para todos os atendimentos sem base técnica e que afirmações fora de contexto podem aumentar o sofrimento de famílias já fragilizadas.

O que acontece agora

A análise da documentação colhida na inspeção deve orientar as providências administrativas, e a investigação policial segue com a coleta de depoimentos e a revisão dos prontuários. Novos boletins de ocorrência devem ser registrados na próxima semana.

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