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Polícia de MG liga morte de casal em Montes Claros a carteira com R$ 60

Delegada diz que as vítimas foram espancadas e queimadas por cinco pessoas; três adultos foram presos e dois adolescentes são investigados.

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Fachada da 2ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Caratinga (MG), com brasão e uma viatura na frente
Foto de arquivo: Sede da 2ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Caratinga (MG)Foto: HVL (CC BY 4.0)

Resumo

  • Polícia Civil de MG conclui que casal foi morto em Montes Claros por causa de uma carteira com R$ 60.
  • Os três adultos apontados como autores estão presos; dois adolescentes também participaram.
  • A mulher foi morta para não denunciar o grupo, diz a polícia; a hipótese de tráfico foi descartada.

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu que um casal de 23 e 34 anos foi morto em Montes Claros, no Norte do estado, por causa de R$ 60. O dinheiro estava numa carteira que o homem havia encontrado e gastado. A conclusão foi apresentada nesta sexta-feira (23) pela delegada Francielle Drumond, chefe da Delegacia de Homicídios.

Os corpos foram achados carbonizados numa área de mata em 6 de outubro de 2025, depois que vizinhos ouviram gritos de socorro. Parentes reconheceram as vítimas pelas tatuagens. Segundo a delegada, o laudo de necropsia apontou traumatismo cranioencefálico como causa da morte e registrou “requintes de crueldade”, porque uma substância inflamável foi usada nos corpos.

A hipótese do tráfico foi descartada

No começo da apuração, a linha seguida pelos investigadores era outra. A mulher teria guardado droga para um traficante da região e consumido parte dela com o companheiro. Com o avanço do inquérito, essa explicação perdeu força e a polícia passou a trabalhar com um motivo bem mais banal.

Segundo a delegada, a vítima achou uma carteira que guardava R$ 60 e gastou a quantia. Quando o dono da carteira, um dos investigados, foi cobrar o valor, ouviu que já tinha sido gasto. A resposta, afirmou ela, desencadeou as agressões. Os dois foram espancados com um pedaço de madeira “com uma brutalidade extrema” e mortos em seguida.

Cinco participantes, três presos

Para os investigadores, cinco pessoas agiram juntas: três adultos e dois menores de 18 anos. O dono da carteira, segundo a polícia, foi o principal responsável pelas agressões. Um segundo adulto ajudou a executar o ataque, e um terceiro teria incitado o grupo a queimar os corpos. Os adolescentes ficaram encarregados de vigiar o local.

O grupo foi alvo da Operação Nero, de 18 de dezembro de 2025, quando a polícia apreendeu telefones, dinheiro e uma arma. A análise dos aparelhos ajudou a esclarecer o papel de cada um e mostrou, de acordo com a delegada, que a mulher não teve relação alguma com o sumiço da carteira.

Mulher morta para não denunciar

Esse ponto muda a leitura do caso. Para a polícia, a mulher foi assassinada por ter presenciado tudo. “A morte dela se deu exclusivamente para assegurar a impunidade do grupo criminoso, ou seja, ela era testemunha dos fatos, a morte dela foi uma queima de arquivo”, disse a delegada.

O caminho até as prisões

Concluído o inquérito, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva de todos os envolvidos, mas o juiz negou o pedido. O Ministério Público recorreu, e as prisões foram autorizadas. Os adultos foram detidos em datas diferentes: um em 30 de julho, outro em 4 de agosto e o terceiro em 21 de outubro de 2026.

O último a ser localizado, apontado como principal alvo da corporação, acabou localizado por policiais militares na cidade de Joaquim Felício, onde era empregado de uma fazenda e se apresentava com identidade falsa. Os três adultos foram indiciados por homicídio qualificado (motivo fútil, crueldade e impossibilidade de defesa das vítimas) e por corromper menores.

Adolescentes

O procedimento relativo aos dois adolescentes foi enviado à Vara da Infância e da Juventude, e a polícia pediu a internação provisória deles. A delegada contou que um dos jovens deixou a cidade porque estaria sendo ameaçado pelos adultos do grupo.

O que acontece agora

Os três adultos permanecem presos e foram indiciados. A Polícia Civil encerrou a investigação e, segundo a delegada, a Operação Nero mostrou o papel de cada integrante do grupo. A condução do caso na Justiça cabe agora ao Ministério Público, que já havia recorrido para obter as prisões preventivas.

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