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Ouvidoria pede afastamento de PMs acusados de vestir suspeitos com camisetas do PT

Caso em Piracicaba (SP) tem versões opostas sobre a origem das camisetas; PT acionou a PGR e o Ministério da Justiça cobrou explicações.

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Viaturas brancas com faixas vermelhas e pretas da Polícia Militar de São Paulo estacionadas em fila numa pista cercada de árvores
Foto de arquivo: Viaturas da Polícia Militar de São Paulo enfileiradasFoto: Alexandre Carvalho/A2img (CC BY 2.0)

Resumo

  • A Ouvidoria das Polícias pediu à Corregedoria da PM o afastamento dos policiais envolvidos na abordagem em Piracicaba (SP).
  • Moradores e militantes dizem que os presos não usavam camisetas do PT; a PM afirma que a denúncia ao 190 já citava as peças.
  • PT acionou a PGR, e o Ministério da Justiça pediu informações e a preservação de imagens de câmeras corporais.

A Ouvidoria das Polícias de São Paulo solicitou o afastamento dos policiais militares acusados de fazer suspeitos de tráfico usarem camisetas da campanha petista ao serem apresentados na delegacia de Piracicaba, no interior paulista. O pedido foi encaminhado à Corregedoria da PM, que ainda analisa a medida. O caso ganhou força a dois dias do segundo turno da eleição presidencial e já mobiliza o partido, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Ministério da Justiça.

O que aconteceu

A ocorrência é de quarta-feira (21). Duas pessoas maiores de idade foram presas e um adolescente, apreendido. A Secretaria da Segurança Pública lista como material recolhido 160 porções de cocaína, um revólver .32 sem numeração legível e R$ 340.

O caso virou notícia com um vídeo da entrada dos detidos na delegacia, em que eles aparecem com camisetas ligadas à campanha de Lula. A gravação circulou nas redes e foi repassada pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP). Em nota, Derrite diz que quis alertar para o recrutamento de jovens pelo tráfico e que não mencionou as camisetas.

As duas versões

A divergência central é sobre a origem das peças. Para parentes, vizinhos, militantes e a deputada estadual Professora Bebel (PT), os presos estavam sem as peças quando foram abordados, e os próprios policiais as vestiram neles antes do trajeto até a delegacia. A mãe do adolescente apreendido disse que o filho vestia uma regata azul.

Um dos presos, de 21 anos, contou em depoimento à Polícia Civil que os policiais acharam as camisetas “jogadas em algum barraco da viela” e mandaram que eles as vestissem. Ele disse, porém, que não sofreu violência física. Duas mulheres contratadas pela campanha petista relatam que os policiais tomaram delas os uniformes de campanha, pedindo três camisetas, e depois os colocaram nos detidos.

A Polícia Militar apresenta outra leitura. Segundo a corporação, a denúncia recebida pelo telefone 190 já descrevia suspeitos com camisetas alusivas à campanha. A PM afirmou que tomou conhecimento das alegações de agressão e da suposta obrigação de usar as camisetas e que os fatos serão analisados em procedimentos de apuração.

Acusações de agressão

Segundo os militantes, os agentes xingaram o PT de “partido vagabundo” e Lula de “ladrão”. A mãe de um dos jovens afirma ainda que a filha, de 14 anos, apanhou dos policiais. Essas denúncias fazem parte das apurações pedidas pela Ouvidoria e conduzidas pela PM, e não há conclusão sobre elas.

As providências

O PT recorreu à PGR e pediu que o Ministério Público Eleitoral apure o episódio. Na avaliação do partido, a suposta armação teria servido para criar um vídeo enganoso, capaz de incendiar as redes e atingir a campanha. A Ouvidoria disse ter recebido as denúncias com “extrema preocupação” e pediu à Corregedoria que os agentes sejam afastados até o fim das apurações.

O governo federal, por meio do Ministério da Justiça, mandou ofícios a três órgãos: a Secretaria da Segurança Pública, a Corregedoria da PM e a Ouvidoria. Quer saber que medidas foram tomadas e pede que sejam guardadas as provas, como filmagens das câmeras corporais e das viaturas, o videomonitoramento e o áudio das ligações ao 190. Nada disso foi divulgado até agora.

Situação dos detidos

Na audiência de custódia, acompanhada pela Defensoria Pública, o rapaz de 21 anos ganhou liberdade com medidas cautelares. Já o de 24 permaneceu preso, e o adolescente seguiu para uma unidade da Fundação Casa.

O que falta esclarecer

Ainda não há resposta pública para a pergunta principal: os suspeitos usavam as camisetas antes da abordagem? A resposta pode depender das imagens das câmeras corporais e dos registros das ligações ao 190, cuja preservação foi pedida pelo governo federal. A Corregedoria da PM ainda não decidiu sobre o afastamento dos policiais.

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