PF tem 71 conduzidos e 13 flagrantes em apuração por crimes eleitorais no 2º turno
Balanço das 19h mostra alta de 73% desde as 15h; PF prendeu eleitor que danificou urna em Fortaleza e investiga compra de votos em Palmas.

Resumo
- A PF contabilizava 71 pessoas conduzidas e 57 termos circunstanciados até as 19h deste domingo (25).
- Eram 41 conduzidos às 15h e quatro às 10h30; 13 possíveis flagrantes seguiam em andamento.
- Os números são parciais e a PF afirma que podem mudar com novas ocorrências.
A Polícia Federal (PF) tinha, às 19h deste domingo (25), 71 pessoas conduzidas por suspeita de crimes eleitorais no segundo turno das eleições de 2026. O número consta do terceiro balanço parcial do dia, divulgado às 19h14 pela corporação, que registrou ainda 57 termos circunstanciados de ocorrência, seis inquéritos policiais instaurados e 13 ocorrências em andamento de possíveis flagrantes. As ocorrências foram registradas em 17 estados.
Os dados são da própria PF, que alerta no comunicado oficial que os números são dinâmicos e podem mudar com novas ocorrências, investigações e atualizações dos sistemas. O balanço final ainda não foi divulgado. Em alguns locais, a votação foi estendida até as 19h por decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, e as ocorrências desse período podem entrar na contagem seguinte.
O que a PF registrou ao longo do dia
A corporação divulgou três balanços parciais no domingo. A comparação mostra como as ocorrências se multiplicaram depois do meio-dia:
| Horário do balanço | Conduzidos | Termos circunstanciados | Inquéritos do dia | Flagrantes em andamento |
|---|---|---|---|---|
| 10h30 | 4 | 2 | não informado | 2 |
| 15h | 41 | 31 | 2 | 11 |
| 19h | 71 | 57 | 6 | 13 |
Entre as 15h e as 19h, 30 pessoas a mais foram conduzidas, uma alta de 73% em quatro horas, o equivalente a cerca de sete e meia por hora. Desde o primeiro balanço, às 10h30, o total subiu de quatro para 71. Os termos circunstanciados, que são os registros de crimes de menor potencial ofensivo, passaram de dois para 57 no mesmo período.
Há um detalhe nos dados oficiais: o total de inquéritos instaurados ao longo de 2026 por crimes eleitorais aparece como 1.613 nos balanços das 15h e das 19h, sem mudança, embora o número de inquéritos abertos só neste domingo tenha subido de dois para seis. Às 10h30, o total do ano era 1.608. A PF não explica a diferença, e o dado deve ser atualizado no balanço final.
Segundo a PF, os crimes mais apurados são propaganda eleitoral irregular e violação do sigilo do voto. Os três balanços trazem também o total apreendido pela corporação neste ano: R$ 51,9 milhões, dos quais R$ 31,7 milhões era dinheiro vivo.
Os casos que a PF detalhou
Em Fortaleza, a PF deu voz de prisão em flagrante, na noite deste domingo, a um eleitor acusado de estragar uma urna eletrônica numa seção do bairro Planalto Ayrton Senna. De acordo com a nota da corporação, o homem teria se exaltado depois de um desentendimento sobre o atendimento prestado à esposa, derrubou uma mesa e danificou o equipamento. A Polícia Militar o conteve e o levou à Superintendência da PF no Ceará.
Servidores da seção disseram ter sido ameaçados por familiares do suspeito depois do episódio, e as circunstâncias dessas ameaças serão apuradas. A nota da PF não traz manifestação do eleitor nem de sua defesa, e o Fato em Dia não conseguiu localizá-los; o espaço segue aberto. O auto de prisão em flagrante tem como base o artigo 339 do Código Eleitoral, que prevê reclusão de dois a seis anos, além de multa, para quem destrói, suprime ou oculta urna com votos ou documentos da eleição.
Em Sergipe, a PF registrou seis ocorrências no segundo turno, com cinco termos circunstanciados e um inquérito. Entre os casos estão eleitores suspeitos de fotografar ou filmar o próprio voto com o celular e propaganda eleitoral perto de locais de votação, segundo a nota da PF no estado.
Na véspera, no sábado (24), a PF prendeu em flagrante duas pessoas em Palmas, no Tocantins, suspeitas de corrupção eleitoral. Segundo a corporação, elas teriam comprado votos com a distribuição de requisições de combustível. A PF diz que as investigações continuam para identificar os eventuais beneficiários e outros envolvidos.
Conduzido não é o mesmo que preso
O número de 71 pessoas conduzidas não significa 71 prisões. Conduzido é quem foi levado a uma delegacia ou à sede da PF para prestar esclarecimentos. Em crimes de menor potencial ofensivo, como a boca de urna, o caso costuma terminar com a assinatura de um termo circunstanciado, com compromisso de comparecer ao juizado, e a pessoa é liberada. A prisão em flagrante, com auto lavrado, fica para crimes mais graves, como compra de votos ou destruição de urna.
O que é crime no dia da eleição
- Boca de urna: pedir votos ou fazer propaganda no dia da votação é crime previsto na Lei das Eleições (artigo 39, parágrafo 5º), com pena de detenção de seis meses a um ano, que pode ser trocada por prestação de serviços, e multa.
- Violar o sigilo do voto: mostrar, fotografar ou filmar o voto na cabine compromete o sigilo e a PF cita a violação do sigilo entre os principais crimes apurados neste domingo.
- Corrupção eleitoral: oferecer ou aceitar dinheiro ou qualquer vantagem em troca de voto é crime pelo artigo 299 do Código Eleitoral, com pena de reclusão de até quatro anos e multa.
- Danificar a urna: é crime pelo artigo 339 do Código Eleitoral, com reclusão de dois a seis anos.
O eleitor que presenciar irregularidades pode avisar o mesário ou o juiz eleitoral do local e registrar a denúncia pelo aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral.
O que falta saber
Ainda não há balanço consolidado com o total de presos em flagrante nem a divisão das ocorrências por estado. A PF mantém um painel público com as ações do combate a crimes eleitorais, indicado no próprio comunicado. O Fato em Dia atualiza esta matéria quando a corporação divulgar o balanço final do segundo turno.
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