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Motorista é preso em BH após atropelar homem de 67 anos em ato pró-Lula

Dirigente sindical teve o tornozelo fraturado no cruzamento da Rua da Bahia; condutor diz que fugiu de garrafadas, e a polícia apura tentativa de homicídio.

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Fachada de uma delegacia regional da Polícia Civil de Minas Gerais, com o brasão da corporação no alto do prédio e uma viatura preta estacionada na frente
Foto de arquivo: Delegacia regional da Polícia Civil de Minas Gerais, em CaratingaFoto: HVL (CC BY 4.0)

Um motorista foi preso em flagrante em Belo Horizonte depois de atingir um manifestante com o carro durante um ato a favor da reeleição do presidente Lula (PT), no início da noite de sábado (17). A vítima, um homem de 67 anos, fraturou o tornozelo e deve ser operada. A Polícia Civil de Minas Gerais enquadrou o caso como suspeita de tentativa de homicídio.

Como a polícia reconstitui o episódio

O atropelamento aconteceu no Centro da capital mineira, na esquina entre as ruas da Bahia e Tupinambás, enquanto participantes do ato cruzavam a pista rumo à Praça da Estação. Um guarda municipal em patrulha relatou à Polícia Militar que o semáforo estava fechado para os carros e que um Volkswagen amarelo passou em alta velocidade pela faixa de pedestres. Os guardas tentaram acompanhar o veículo, sem sucesso.

Alguém que participava do ato e testemunhou a cena contou o mesmo aos policiais: para os motoristas o sinal estava vermelho, e o condutor teria jogado o carro em direção ao grupo. Um vídeo registrou a batida. Minutos depois, uma equipe da PM localizou o motorista na Rua da Bahia, nas imediações do Minas Tênis Clube. O bafômetro não detectou álcool.

A versão do motorista e da esposa

No depoimento, o condutor disse que havia parado no sinal e ficado preso no congestionamento por vários ciclos. Em determinado momento, de acordo com ele, manifestantes atiraram garrafinhas de água e latas de cerveja no veículo e atingiram a mulher que o acompanhava; os filhos, de 10 e 8 anos, entraram em pânico. Por isso, justificou, pisou no acelerador. Admitiu que bateu no pedestre, mas disse que não notou o impacto e que ligaria para o 190 quando chegasse em casa.

A esposa sustentou a mesma narrativa. Segundo ela, o casal esperou a travessia dos manifestantes, entre os quais havia quem entregasse panfletos e adesivos de campanha, e o marido chegou a dar uma buzinada em sinal de apoio. Com o sinal aberto, ele teve de desviar de um carrinho de vendedor ambulante, e então começou o arremesso de objetos, que a teriam acertado na cabeça e na barriga.

O estado da vítima

Quem foi atropelado é diretor do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG). Socorrido primeiro no Hospital João XXIII, foi depois removido para um hospital particular. Os médicos diagnosticaram fratura trimaleolar no tornozelo esquerdo, um tipo de lesão que compromete três partes do osso e costuma exigir cirurgia.

O dirigente contou outra versão ao g1: “Esse carro veio pela faixa esquerda da rua e forçou a passagem para cima dos manifestantes”. De acordo com o relato, o veículo atingiu antes uma mulher, ele tentou protegê-la ao se desviar e foi pego em seguida. Ele afirma que teve sorte porque uma médica passava pelo local e fez os primeiros atendimentos.

O que acontece agora

A Polícia Civil informou, em nota, que levou o motorista a uma unidade policial, onde ele foi ouvido pela 2ª Central Estadual do Plantão Digital, e que decretou a prisão em flagrante por suspeita de tentativa de homicídio. O nome do preso não foi divulgado.

Essa classificação é só o ponto de partida da apuração. Caberá ao inquérito e à Justiça definir se houve intenção de matar, se o caso se encaixa em lesão corporal ou se a alegação de que o motorista fugia de agressões se sustenta. Isso depende das imagens, dos depoimentos e das perícias. Até agora, nenhum registro divulgado confirma o arremesso de garrafas e latas descrito pelo casal.

O caso ocorre a uma semana do segundo turno, em 25 de outubro, e no dia do primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, às 20h, na Band.

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