Gaeco apreende R$ 155 mil com carcereiro suspeito de dar regalias a Milton Leite
Operação na cadeia de Mogi das Cruzes apura visitas de políticos fora do horário; o ex-presidente da Câmara está preso desde 18/9.

Uma operação do Ministério Público de São Paulo apreendeu cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de facilitar regalias ao ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A ação, comandada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ocorreu nesta sexta-feira (16) e foi revelada pelo g1 e pela TV Globo. O carcereiro não teve o nome divulgado.
Onde o dinheiro foi encontrado
De acordo com a apuração, aproximadamente R$ 150 mil e os US$ 10 mil, o equivalente a cerca de R$ 50 mil, estavam na casa do servidor. Outros R$ 4 mil, mais ou menos, estavam no bolso dele quando a equipe fez uma busca dentro da própria cadeia. O dinheiro foi apreendido durante o cumprimento de mandados autorizados pela Justiça.
A operação começou no início da tarde e teve apoio das corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal. Além da casa do carcereiro, as buscas atingiram outras celas da unidade e o 1º Distrito Policial, que funciona ao lado da cadeia. A unidade é administrada pela Polícia Civil. O objetivo, segundo a reportagem, era verificar as condições em que os presos estão, procurar celulares, imagens de câmeras de monitoramento e outras provas.
A denúncia que deu origem à ação
O caso partiu de uma denúncia anônima. Ela apontava que Milton Leite recebia visitas de políticos e de amigos fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e nos fins de semana, o que teria sido possível graças a um carcereiro. O Gaeco investiga suspeitas de corrupção ativa e passiva. Na esfera administrativa, a Corregedoria da Polícia Civil pode abrir um procedimento para apurar se policiais civis participaram do favorecimento.
Entre os políticos que teriam entrado sem autorização formal, a reportagem cita o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e os deputados estaduais Delegado Olim (PP) e Rogério Franco (PL). Em nota, Olim afirmou que a visita teve “caráter estritamente institucional e político”, com o objetivo de conversar sobre a federação partidária União Progressista. No texto de origem, só a nota do deputado aparece; os demais visitantes citados não têm manifestação registrada.
O que as imagens mostram
Segundo a investigação, câmeras registraram a chegada de uma caminhonete ligada à empresa da família de Milton Leite à cadeia nos dias 8 e 9 de outubro, além da entrada de um carro de luxo na unidade. As imagens também mostram uma viatura descaracterizada chegando ao 1º DP, de onde desceram dois homens e uma mulher que aparenta ser uma delegada.
Um dos homens entrou na cadeia e voltou com Milton Leite, levado à delegacia pela entrada administrativa, de acesso restrito. O ex-vereador ficou ali por quase uma hora e depois retornou à carceragem. A mulher saiu em seguida na mesma viatura. Os investigadores dizem que o processo não explica por que ele foi retirado da cela nem qual foi o motivo do encontro.
Quem é Milton Leite e por que está preso
Milton Leite foi vereador e presidiu a Câmara Municipal de São Paulo. Está preso desde 18 de setembro, na Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do PCC no transporte público da capital paulista. Na quarta-feira (14), a Justiça prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária dele e dos demais investigados, informou a Polícia Civil.
Segundo os investigadores, ele seria o responsável direto pela operação de algumas empresas sob controle do PCC e o dono de fato da Transwolff. Ao sair para o exame no IML, em 18 de setembro, ele disse à imprensa ser inocente. “Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia”, afirmou, e acrescentou: “Só arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum e nada devo.”
Todos os citados são tratados como suspeitos ou investigados, e ninguém foi condenado. A defesa do carcereiro não aparece na reportagem de origem, e o espaço segue aberto para a manifestação dele e dos demais envolvidos.
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