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Investigações

OAB-SP suspende registro de Nelson Wilians, investigado pela PF e pelo MP

Advogado é investigado pela PF, no caso das bets, e pelo MP de SP, por créditos de ICMS; ele diz que vai contestar a suspensão.

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Nelson Wilians, de barba, terno azul e gravata laranja, sentado à mesa da CPMI diante de microfone e placa com seu nome
Foto de arquivo: O advogado Nelson Wilians em depoimento à CPMI do INSS, no SenadoFoto: Saulo Cruz/Agência Senado

A inscrição do advogado Nelson Wilians na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aparece como suspensa. Na consulta pública do site da seccional paulista, a situação dele consta como “Ativo-Suspenso”. A suspensão foi revelada pela revista piauí e confirmada neste sábado (17); o prazo da medida não foi divulgado. Wilians é investigado em duas frentes: uma operação da Polícia Federal sobre apostas esportivas e jogos de azar e outra do Ministério Público de São Paulo sobre créditos fraudulentos de ICMS. Ele é suspeito, não foi condenado, e diz que vai contestar a decisão da OAB.

O que consta no cadastro da OAB-SP

Mesmo com a inscrição suspensa, Wilians ainda consta como sócio da banca que leva seu nome e que ele fundou, a maior do país. Em agosto, depois da operação da PF, ele deixou o comando do escritório e disse que a decisão tinha o objetivo de proteger a própria família.

A operação sobre apostas

A Polícia Federal deflagrou em agosto a Operação Arena, que investiga um grupo de empresas que, segundo os policiais, montou uma rede de sociedades e contas dentro e fora do país para ocultar de onde vinha e para onde ia o dinheiro de apostas esportivas e jogos de azar. A lista de suspeitas inclui lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, envio ilegal de recursos ao exterior e crimes financeiros.

No centro do caso está a Pixbet. Na investigação, foi registrada uma transferência envolvendo a PixStar, empresa sem atividade real, com sede na ilha de Curaçao, no Caribe. A suspeita é que tenha sido montada uma estrutura complexa para dificultar a identificação de quem ficava com o dinheiro no fim da cadeia. Wilians aparece entre os investigados; quando a operação saiu, a CNN Brasil informou que ele representava a casa de apostas num processo que corre na Justiça Federal da Paraíba.

A investigação dos créditos de ICMS

Em julho, Wilians também foi alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Secretaria da Fazenda paulista. O objetivo era desmontar uma organização suspeita de vender créditos de ICMS fraudulentos. As unidades do escritório dele foram alvo de mandados de busca e apreensão, e o advogado foi apontado como um dos núcleos centrais da investigação.

De acordo com a força-tarefa, o grupo oferecia a empresas paulistas um suposto “planejamento tributário” baseado em créditos que não existiam. O esquema, dizem os investigadores, se apoiava em papéis forjados, contratos de mentira e firmas que só existiam no papel. Pelo serviço, as bancas de advocacia ficavam com até 70% dos créditos que cada cliente conseguia abater. As apurações apontam prejuízo de mais de R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos.

O que diz o advogado

Nenhuma das suspeitas foi julgada. Em nota, Nelson Wilians disse ter recebido “com indignação” a decisão da OAB que suspendeu seu exercício profissional. Ele afirmou respeitar o papel da entidade de apurar eventuais infrações, mas cobrou que a análise preserve as garantias do devido processo legal “e não antecipe juízos de culpabilidade”.

O advogado declarou que a decisão será contestada “pelas vias cabíveis” e que pretende demonstrar a regularidade da sua atuação. Também lembrou que, desde 14 de agosto, está afastado da presidência do escritório por decisão própria e que a banca continua funcionando, sob a gestão de outros profissionais.

O que acompanhar

Os próximos passos dependem da OAB-SP, que decide sobre o registro, e das investigações da PF e do Ministério Público, ainda em andamento. Em caso de denúncia à Justiça, o advogado terá direito de apresentar defesa antes de qualquer julgamento.

Correção: a versão anterior dizia que a defesa não havia se manifestado; Nelson Wilians divulgou nota sobre a suspensão, incluída no texto, às 13h55.

Correção: a versão anterior informava que a suspensão era de 90 dias, dado que não foi confirmado pela OAB-SP nem pela fonte; a informação foi retirada, às 16h40.

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