PM prende em Uberaba o 'Mago das Armas', suspeito de fabricar fuzis em impressora 3D
Homem de 32 anos confessou fabricar e vender armamento há cerca de dois anos; PM apreendeu carabinas, silenciadores e centenas de munições.
A Polícia Militar de Minas Gerais prendeu na noite de quinta-feira (15), em Uberaba, no Triângulo Mineiro, um homem de 32 anos conhecido como “Mago das Armas”. Ele é suspeito de fabricar e vender armas de fogo de forma clandestina, usando uma impressora 3D para produzir fuzis, carabinas, submetralhadoras e pistolas. A informação é da PM, divulgada nesta sexta (16).
Três meses de investigação
Segundo a corporação, o suspeito foi localizado numa casa do bairro Nossa Senhora da Abadia depois de cerca de três meses de levantamentos feitos por equipes do Comando Tático do 4º Batalhão. A suspeita dos policiais é que as armas abastecessem integrantes de organizações criminosas do Triângulo Mineiro e do estado de São Paulo.
O que foi apreendido
Na casa, os militares encontraram uma carabina semiautomática com silenciador, uma carabina da plataforma AR em modo automático, um rifle também com silenciador e uma pistola 9 mm com um acessório conhecido como Kit Roni, que adapta a arma para uso mais próximo ao de uma submetralhadora. Havia ainda espingardas e pistolas artesanais.
A PM contabilizou centenas de munições: 533 de calibre .22, 88 de 9 mm, 49 de .380 e três de calibre .38. Também foram levados uma luneta de rifle, uma lanterna adaptada para pistola, um bloqueador de sinal, dois desmuniciadores, dois celulares, um computador, um notebook, um HD externo e várias peças usadas na fabricação e na montagem dos armamentos.
Impressora ligada a um projeto de fuzil
Uma impressora 3D foi encontrada em um dos quartos da residência. O equipamento estava conectado a um computador que, no momento da abordagem, exibia na tela uma imagem parecida com o projeto técnico de um fuzil. Pelo registro policial, a máquina servia para produzir armas, carregadores, silenciadores e outras peças. O computador e os demais aparelhos foram apreendidos para auxiliar a investigação.
O que o suspeito disse
De acordo com a ocorrência, o homem afirmou que fabricava os armamentos de modo artesanal, com a impressora e outras ferramentas, e que recebia encomendas havia aproximadamente dois anos. Ele contou aos policiais que cobrava cerca de R$ 6 mil por pistola e em torno de R$ 12 mil por submetralhadoras, carabinas e fuzis. Os compradores, segundo o relato registrado, eram de Uberaba, de outras cidades da região e do estado de São Paulo.
Por ora, as declarações constam apenas do registro da PM; cabe à Polícia Civil confirmar o que foi dito e apurar quem eram os clientes. A reportagem que primeiro noticiou o caso informou que procurou a Polícia Civil sobre as investigações e a prisão, mas não obteve resposta até a última atualização. A defesa do suspeito não foi identificada.
Crimes apontados
Ele foi levado à delegacia, onde o caso foi apresentado à Polícia Civil, e responde por suspeita de fabricação e comércio ilegal de armas de fogo e de posse ou porte ilegal de armamento de uso restrito. Como se trata de prisão em flagrante, o suspeito deve passar por audiência de custódia, na qual a Justiça decide se ele permanece preso.
Por que o caso preocupa
Armas produzidas em impressoras 3D chamam a atenção das polícias porque não têm registro, número de série nem origem em fábricas controladas, o que dificulta o rastreamento depois que são usadas em um crime. A apreensão de silenciadores e de acessórios de conversão para tiro automático reforça o alerta. O próximo passo da investigação é identificar a quem as armas foram vendidas e se alguma delas já foi usada em crimes na região.
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