EUA liberam o 737 MAX 10, maior avião da família, depois de seis anos de espera
O 737 MAX 10 leva até 230 passageiros e já tem 1.555 pedidos; Boeing diz que as entregas começam nos próximos meses.

Resumo
- A FAA, agência de aviação dos EUA, aprovou na terça-feira (20) o Boeing 737 MAX 10, maior avião da família.
- O modelo leva até 230 passageiros, tem 1.555 pedidos de mais de 30 clientes e começa a ser entregue nos próximos meses.
- A entrega estava prevista para 2020; os acidentes com o MAX 8 tornaram a certificação mais rigorosa.
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) deu na terça-feira (20) a certificação final ao Boeing 737 MAX 10, a versão mais comprida da família 737 MAX. Com a aprovação, a fabricante americana fica liberada para começar a entregar o avião às companhias aéreas, o que deve acontecer nos próximos meses, segundo a empresa. Quando o projeto foi lançado, a previsão era de que as primeiras unidades chegassem aos clientes em 2020.
O que o MAX 10 tem de diferente
O novo modelo comporta até 230 passageiros quando configurado só com a classe econômica. Em aviões com duas classes, a Boeing estima entre 185 e 210 assentos, com alcance de até 5.740 km. É a maior capacidade da família: o MAX 9 leva até 195 pessoas, e o MAX 7, até 160.
De acordo com a fabricante, o avião gasta 20% menos combustível e emite 20% menos gás carbônico que a geração anterior do 737. A empresa já montou algumas unidades, que estavam paradas à espera da autorização.
1.555 pedidos já feitos
Mais de 30 clientes encomendaram o MAX 10, num total de 1.555 aviões, segundo a Boeing. Esses pedidos representam mais de 30% de todas as encomendas do 737 MAX que ainda não foram entregues. As americanas United, Delta, American e Alaska e a irlandesa Ryanair estão na lista de compradores.
Em comunicado, a presidente da divisão de aviação comercial da Boeing, Stephanie Pope, afirmou que a conclusão da certificação abre caminho para um avião que vai “estabelecer um novo padrão na aviação comercial”. “O 737-10 oferece mais capacidade, mais alcance e o melhor custo por assento da categoria”, disse.
“O 737-10 oferece mais capacidade, mais alcance e o melhor custo por assento da categoria.”
Para a fabricante, o modelo é peça central da recuperação financeira depois de anos de crise.
Certificação mais dura depois dos acidentes
A aprovação demorou mais por causa do endurecimento das regras depois que dois MAX 8 caíram, um em 2018 e outro em 2019, matando 346 pessoas. Em janeiro de 2024, a Boeing voltou a ser alvo de fiscalização quando uma parte da fuselagem de um MAX 9 da Alaska Airlines, praticamente novo, se soltou em pleno voo.
O MAX 10 é o primeiro avião comercial certificado com todas as exigências de uma lei americana de 2020, criada depois dos acidentes, que obriga as fabricantes a documentar em detalhe as análises de segurança. Segundo a Boeing, a campanha de testes somou mais de 2.000 horas de voo e 1.000 horas de ensaios em solo.
A FAA exigiu mudanças no sistema de controle de voo e um sensor de ângulo de ataque aprimorado, peça que mede a inclinação do avião em relação ao fluxo de ar. As melhorias também serão instaladas, nos próximos anos, nos aviões da família que já voam.
Um defeito no sistema que impede a formação de gelo nos motores, descoberto em 2023, atrasou tanto o MAX 10 quanto o MAX 7, que a FAA aprovou em agosto. No fim de setembro, a Boeing informou outra falha, no software de navegação mais recente da família, mas a agência concluiu que ela não oferecia risco à segurança e não a tornou condição para a certificação.
Outro modelo ainda na fila da FAA é o 777-9, o maior jato comercial da Boeing, que acumula seis anos de atraso; a previsão da fabricante é entregá-lo a partir de 2027.
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