Japão põe Flávio à frente na soma do exterior; Lula vence em mais países
Boletins de urna somam 47.960 votos para Flávio e 12.550 para Lula; o resultado do Brasil sai a partir das 17h.
Resumo
- Na soma dos boletins de urna de sete países, Flávio tem 47.960 votos e Lula, 12.550, por causa do Japão.
- Lula vence em mais países: China, Nova Zelândia, Coreia do Sul e Singapura; o exterior é 0,6% do eleitorado.
- No Brasil, as urnas funcionam das 8h às 17h (Brasília), e a divulgação dos resultados pode começar às 17h.
Os primeiros números do segundo turno chegaram de longe, e o retrato depende de como se olha. Somados os boletins de urna de sete países da Ásia e da Oceania publicados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até as 7h25 deste domingo (25), Flávio Bolsonaro (PL) tinha 47.960 votos, contra 12.550 de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula, porém, venceu em quatro desses países, e Flávio, em três. O resultado nacional só começa a sair no fim da tarde.
O Japão decide a soma
A diferença vem quase toda do Japão, que responde pela maior parte dos votos já contados. Ali, Flávio recebeu 47.306 votos e Lula, 11.201, o que dá ao senador cerca de 81% dos votos dados aos dois. Sem o Japão, a vantagem se inverte: nos outros seis países, Lula soma 1.349 votos, contra 654 de Flávio. O senador também ficou à frente nas Filipinas (39 a 27) e na Malásia, por diferença de poucos votos.
O quadro do primeiro turno, em 4 de outubro, foi outro: o petista ganhou em 64 países, o senador em 36, e a Guiné-Bissau terminou empatada. No total do exterior, o petista teve 47,57% dos votos, e o senador, 43,49%. Na Europa e nas Américas, as urnas ainda estavam abertas no início da manhã.
Onde Lula vence
Na China continental, Lula teve 73,7% dos votos válidos (375 votos, contra 134 de Flávio), segundo os boletins de urna. No primeiro turno, foram 268 votos para Lula e 98 para Flávio. O petista foi mais forte em Pequim (85,1%), seguido de Xangai (73,4%); em Guangzhou, a disputa mais apertada, ficou com 59,3%. A vantagem dele cresceu nas três cidades em relação ao primeiro turno. Compareceram 532 dos 1.503 eleitores aptos (35,4%), contra 432 (28,8%) no primeiro turno. Em Hong Kong, o placar foi apertado: 133 votos para Flávio e 127 para Lula.
Em Seul, na Coreia do Sul, votaram 238 brasileiros: 148 escolheram Lula (64,35% dos válidos) e 82, Flávio (35,65%). Entre os eleitores da Nova Zelândia, o petista ficou com 80,54% dos votos válidos; a diferença para Flávio, comparada à do primeiro turno, aumentou perto de 10 pontos. Em Singapura, o petista venceu por 213 a 121. Na Austrália, ainda com seções a apurar no começo da manhã, o placar era de 6.017 para Lula e 3.465 para Flávio.
Por que esses números não indicam o resultado final
A conta é simples. Há 918 mil brasileiros habilitados pelo TSE para votar no exterior, em 186 cidades de 134 países, 31,82% a mais que os cerca de 697 mil de 2022. O eleitorado total é de cerca de 158 milhões, e a fração do exterior é de aproximadamente 0,58%. Mesmo com comparecimento maior que o do primeiro turno, trata-se de uma amostra pequena e concentrada em poucas cidades. Em 2022, no segundo turno, por exemplo, Jair Bolsonaro venceu em Guangzhou e Hong Kong, e Lula, em Pequim e Xangai.
A votação lá fora dura cerca de 29 horas ao todo: começou na tarde de sábado (24) na Nova Zelândia e só termina com o Canadá, na noite de domingo, por causa dos fusos horários. É por isso que a contagem desses países sai antes do fechamento das urnas no Brasil.
O que é o boletim de urna
O boletim de urna (BU) é o papel que a urna eletrônica emite quando a votação termina, com a soma dos votos que cada candidato teve em uma única seção. Ele é público: cópias são entregues aos fiscais dos partidos e a quem estiver presente no fechamento, segundo o manual do TSE, e o TSE publica os arquivos em seu site de resultados. Quem soma os BUs das seções de um país consegue calcular o resultado local antes da totalização oficial.
Horário da votação e dos resultados no Brasil
Em todo o país, as seções funcionam das 8h às 17h pelo horário de Brasília. O Código Eleitoral (Lei 4.737/1965) fixa o início da votação às 8h e o fim às 17h (art. 144) e determina que, às 17h, o presidente da mesa entregue senhas a todos os eleitores presentes, que votam em seguida, na ordem das senhas (art. 153). Quem estiver na fila no horário de encerramento, portanto, não perde o voto.
O fuso muda o relógio local: a votação vai das 7h às 16h na maior parte do Amazonas, em Roraima, em Rondônia e nos dois Mato Grosso. No Acre e nas localidades amazonenses que usam o mesmo fuso, o expediente é das 6h às 15h, e o arquipélago de Fernando de Noronha (PE) vota das 9h às 18h. Como todos seguem o relógio de Brasília, a Justiça Eleitoral pode começar a divulgar os números às 17h.
Para acompanhar, o site de resultados do TSE mostra a apuração por estado e município. No dia da votação, bandeiras, camisetas e adesivos são permitidos como manifestação individual e silenciosa, mas aglomeração, abordagem de outros eleitores e aliciamento configuram boca de urna, crime eleitoral que pode ser denunciado pelo aplicativo Pardal.
O que ainda falta
Os números do exterior ainda vão mudar: faltam a conclusão do Japão e da Austrália e as seções da Europa, da África e das Américas, que fecham ao longo do dia. Esta matéria será atualizada quando o TSE divulgar o resultado nacional.
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