MP Eleitoral pede ao TSE que barre candidatura do deputado eleito Márcio Canella
Parecer cita elos com milícias e organização criminosa; Canella está preso desde 15 de outubro e é investigado por lavagem de dinheiro.

Resumo
- O MP Eleitoral pediu ao TSE que barre a candidatura de Márcio Canella, eleito deputado estadual no Rio.
- O vice-procurador-geral eleitoral cita elos com milícias e com uma organização criminosa armada; Canella está preso desde 15 de outubro.
- O TRE-RJ havia liberado a candidatura sem ter acesso às provas do inquérito, que tramita no STF.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que barre a candidatura de Márcio Canella (União Brasil), eleito deputado estadual no Rio de Janeiro. A manifestação foi apresentada na sexta-feira (23) e se baseia no suposto envolvimento do parlamentar com organizações criminosas. Canella está preso desde 15 de outubro e é investigado por lavagem de dinheiro ligada a postos de combustível do Rio.
O que diz o parecer
O autor do pedido, o vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa, lembra que a jurisprudência do TSE já impede candidatos vinculados a grupos paramilitares ou semelhantes de concorrer, ainda que não haja condenação definitiva. Ele acrescenta que o tribunal eleitoral fluminense (TRE-RJ) liberou o registro sem ter visto as provas do inquérito.
A investigação corre no Supremo Tribunal Federal (STF), que só retirou o sigilo do processo neste mês, depois da prisão do político. Para o vice-procurador, essas provas precisam ser levadas em conta na decisão sobre o registro.
Os indícios apontados
De acordo com o MPE, os autos sugerem que Canella interferiu na escolha de ocupantes de postos de comando da segurança do estado em benefício do grupo e que recebeu dinheiro vivo do esquema. O órgão também vê possível ligação dele com milícias. A suspeita principal é que, em 2023, já como deputado estadual, ele deu emprego à mulher do chefe de uma milícia. Na prefeitura de Belford Roxo, teria colocado integrantes de grupos milicianos no comando de secretarias.
No parecer, Espinosa escreve que há “elementos seguros e convergentes” que demonstram a infiltração de lideranças milicianas na administração pública por meio do candidato, o apoio eleitoral que elas deram à campanha e a atuação dele como articulador de uma organização criminosa armada.
O caso na Polícia Federal
A prisão ocorreu na oitava etapa da Operação Unha e Carne, conduzida pela PF. A investigação aponta uma organização criminosa armada que usaria uma rede de 96 postos de gasolina para lavar dinheiro. A Justiça ainda determinou o bloqueio de bens e a paralisação de 112 empresas da rede. Um documento do Coaf, órgão que monitora movimentações financeiras suspeitas, aponta que o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões. Ele cumpre a prisão em Gericinó, complexo penitenciário na zona oeste carioca.
A defesa
Quando foi preso, Canella afirmou, por meio da defesa: “Confio em Deus e na Justiça e tenho certeza de que tudo será esclarecido.” Ele é investigado e não foi condenado. O Fato em Dia não localizou manifestação da defesa sobre o parecer do MPE até a publicação.
O que vem agora
O pedido será analisado pelo TSE, que decide se mantém ou barra o registro de candidatura de Canella. O parecer do Ministério Público Eleitoral orienta o julgamento, mas não obriga os ministros a seguirem a posição do órgão. O caso ganhou repercussão na campanha presidencial: depois das prisões, o PT passou a tentar associar o candidato Flávio Bolsonaro (PL) ao deputado preso, enquanto o PL buscava conter o desgaste, e Flávio disse ter sido surpreendido pelas prisões.
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