Sem biometria, eleitor vota no 2º turno com documento com foto
Cerca de 11% do eleitorado não tem o cadastro; 4.352 seções mudaram de endereço, e o local se confere no e-Título.

Quem nunca fez o cadastro biométrico na Justiça Eleitoral, ou quem teve a digital recusada pela urna, não fica de fora do segundo turno. A votação é no domingo, 25 de outubro, e o que muda para esse eleitor é só a forma de comprovar quem ele é na hora de votar. Pelas contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quase 11% dos eleitores (10,99%) seguem sem as digitais registradas.
Como funciona na seção
O cadastro biométrico não é obrigatório para exercer o voto. A coleta das digitais foi encerrada em 6 de maio, data em que o cadastro eleitoral foi fechado para as eleições deste ano. Todas as seções do país contam com leitor biométrico acoplado à urna eletrônica.
Para quem tem a biometria registrada, a identificação acontece antes de a urna liberar o voto, pela impressão digital. Se o leitor não reconhecer o dedo, o sistema aceita até quatro tentativas. Se nenhuma funcionar, o mesário confere o dia, o mês e o ano em que o eleitor nasceu e libera a urna.
Sem digitais no cadastro, a identidade é comprovada com qualquer documento oficial que tenha foto; servem, por exemplo, a nova Carteira de Identidade Nacional e a CNH. Nas seções instaladas fora do Brasil, a identificação por biometria não é adotada.
O que é a biometria eleitoral
O procedimento reúne as impressões digitais, a assinatura e a fotografia digital do eleitor. O título antigo, de papel, não trazia foto. Segundo o TSE, o cadastro dá mais segurança ao processo, ajuda a detectar duplicidades no cadastro eleitoral e deixa o atendimento mais padronizado e ágil.
Normalmente, a biometria é coletada na hora do alistamento, em qualquer município, exceto para quem se cadastra no exterior, ou quando o eleitor mais antigo atualiza algum dado pessoal. A coleta também acontece quando a pessoa emite o título pela primeira vez, muda a cidade em que vota ou corrige nome e estado civil. Os dados biométricos ainda integram a base da Identificação Civil Nacional, programa que pretende unificar a identificação dos cidadãos nas relações com o Estado.
Seção pode ter mudado de endereço
Neste segundo turno, 4.352 seções vão funcionar em outro endereço, segundo a Justiça Eleitoral. É pouco diante do total (menos de 1%, ou 0,87%), mas os tribunais pedem que cada eleitor verifique antes do dia 25 se a sua foi afetada. Dá para checar pelo app e-Título ou pelo site do TRE do estado, na área “Autoatendimento Eleitoral”.
De acordo com a Justiça Eleitoral, as mudanças tiveram motivos práticos: reformas de última hora em prédios, melhorias de acessibilidade e locais danificados por chuvas e ventos fortes. A maior parte das alterações ocorreu em São Paulo (982 seções), Minas Gerais (514), Rio de Janeiro (431) e Bahia (312).
No dia 4, a Justiça Eleitoral trocou 1.904 urnas com problema (0,35% do total) e não precisou usar cédula de papel em nenhuma seção.
Quem faltou no primeiro turno também vota
No primeiro turno, em 4 de outubro, 33,4 milhões de pessoas não foram votar, 21,08% do eleitorado, o maior número já registrado. Quem faltou não perde o direito ao segundo turno: para a Justiça Eleitoral, cada turno conta como uma votação separada, e basta estar com o título regular.
A justificativa de ausência pode ser enviada pelo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral ou presencialmente em um cartório. O prazo para justificar o primeiro turno termina em 3 de dezembro. Para quem faltar também no segundo, o limite é 8 de janeiro de 2027. Depois da eleição, o pedido deve vir acompanhado de documentos que comprovem o motivo.
Mais de 314,5 mil eleitores pediram para votar fora do domicílio eleitoral neste segundo turno. A modalidade está disponível nas capitais e nos municípios com mais de 100 mil eleitores, em seções reservadas para esse fim. Quem está em trânsito dentro do próprio estado vota para presidente e governador.
O que está em disputa
Os eleitores escolhem apenas o presidente da República na maior parte do país. Haverá também segundo turno para governador no Distrito Federal, no Acre, no Amazonas, no Espírito Santo, no Rio Grande do Norte e no Tocantins, onde nenhum candidato passou de 50% dos votos mais um. As urnas funcionam das 8h às 17h, no horário de Brasília.
Quem trabalha no dia da eleição não pode ser impedido de votar: o empregador deve organizar a jornada de modo que o funcionário tenha tempo de ir até a seção.
A campanha de Lula pediu ao TSE transporte gratuito e avisos individuais para os eleitores cujas seções mudaram, como mostra a matéria sobre o pedido.
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