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Violência policial

Tarcísio diz que vai rever protocolos da PM após três mortes de pessoas em surto

Governador anuncia reunião com o comando da corporação na próxima semana; PM que matou mulher com faca em Pirituba foi solto na audiência de custódia

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Tarcísio de Freitas, de camisa verde-clara e microfone na mão, fala em um púlpito diante de uma plateia numerosa em um auditório
Foto de arquivo: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, discursa na Agrishow, em Ribeirão Preto, em 27 de abril de 2026Foto: Paulo Guereta/Governo do Estado de SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (16) que o governo vai rever os protocolos de atuação da Polícia Militar depois que três pessoas em aparente surto psicológico foram mortas a tiros por policiais na capital paulista em um intervalo de duas semanas. Segundo ele, haverá uma reunião com o comando da PM na próxima semana para discutir procedimentos e treinamento.

O que disse o governador

Tarcísio falou com a imprensa durante a cerimônia de início das escavações da expansão da Linha 2-Verde do Metrô, em direção a Guarulhos. Ele disse que o Palácio dos Bandeirantes acompanha os casos e que cada um está sendo observado de forma individual, para entender o que motivou a reação do policial. “Tem situações em que você tem uma ameaça caracterizada, outras não. O policial está ali para defender a sua própria vida também”, declarou.

Em seguida, o governador disse que o governo não quer excessos, que a polícia tem de proteger a sociedade e que os casos levaram a refletir sobre os procedimentos: “A gente vê sim necessidade de rever procedimentos”. Ele disse ainda que serão sugeridas novas regras ao Comando Geral da PM e que o treinamento da tropa será reforçado.

O caso de Pirituba

O episódio mais recente ocorreu em Pirituba, na zona norte. Camila Pereira da Silva, de 32 anos, foi baleada no peito e morreu no local depois de caminhar em direção a policiais com uma faca. Ela deixou duas filhas pequenas. As imagens de uma câmera de segurança registraram a cena.

Segundo os depoimentos, três policiais da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) estavam em patrulha quando uma moto apresentou defeito e a equipe parou em uma oficina. Lá, o ex-companheiro de Camila apareceu e pediu ajuda, dizendo que ela o seguia armada e tentava matá-lo. Pouco depois, a mulher chegou com a faca.

O soldado André Coelho Maximo da Costa, autor do disparo, disse em depoimento que os policiais mandaram várias vezes que ela largasse a faca, que a equipe recuou para manter distância e que ele esbarrou em um caminhão estacionado. Segundo a versão dele, atirou uma única vez por entender que não havia alternativa segura para impedir a aproximação. O advogado do soldado, Mauro Ribas, afirmou em nota que o policial seguiu os procedimentos da PM e acionou a central de operações desde o início.

Divergência entre delegado e Justiça

No boletim de ocorrência, o delegado João Pedro Murgolo avaliou que a reação foi desproporcional e que não houve uso progressivo da força. Ele escreveu que, no momento do tiro, a vítima não levantou o braço, não brandiu a faca e não avançou de forma súbita.

Já o juiz Lucas Bannwart Pereira concedeu liberdade provisória ao soldado na audiência de custódia desta sexta. Na decisão, afirmou que a hipótese de legítima defesa não pode ser descartada neste momento e que testemunhas descreveram uma mulher em possível surto avançando continuamente contra os policiais. O PM deverá ficar um ano afastado de atividades operacionais e de funções que exijam porte de arma, manter o endereço atualizado e não deixar a comarca por mais de oito dias sem autorização.

Outros dois casos em sete dias

Em 3 de outubro, Antonio Nunes Batista, de 40 anos, foi morto na Vila Dionísia, zona norte, depois de 24 disparos da PM. Em 10 de outubro, Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu em Moema, zona sul, após policiais darem 45 tiros. Os dois casos foram filmados e são investigados separadamente pela Polícia Civil, que apura se houve legítima defesa ou excesso.

Especialistas ouvidos pelo g1 disseram que o número de disparos contrasta com o Método Giraldi, adotado pela PM paulista, segundo o qual o tiro é a última alternativa e, quando necessário, deve ser feito em sequências de dois.

Posição da SSP

A Secretaria da Segurança Pública informou que não tolera desvios de conduta, que o PM de Pirituba foi preso em flagrante e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e que um Inquérito Policial Militar foi aberto, com acompanhamento da Corregedoria. A arma do policial foi apreendida para perícia. Quem é investigado só pode ser considerado culpado após condenação definitiva.

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