Pular para o conteúdo
Neo Química Arena

Corinthians e Caixa assinam termo de confidencialidade para negociar a dívida da Arena

Reunião em Brasília reuniu dirigentes, o ministro Guilherme Boulos e a Gaviões da Fiel; clube oferece naming rights e outros produtos para quitar o financiamento do estádio

WhatsApp Telegram Facebook X
Estádio de arquitetura branca e curva, a Neo Química Arena, visto de longe, atrás de uma avenida e de um gramado, sob céu parcialmente nublado
Foto de arquivo: a Neo Química Arena, em Itaquera, zona leste de São Paulo, vista da estação de metrô, em 2025Foto: LuanCampSouza93/Wikimedia Commons

O Corinthians e a Caixa Econômica Federal confirmaram, nesta sexta-feira (16), que as conversas para resolver a dívida da Neo Química Arena avançaram. Em nota conjunta, o clube e o banco público informaram que formalizaram a assinatura de um termo de confidencialidade, passo que protege as tratativas e indica que a negociação saiu do campo das especulações. Foi a primeira vez que a Caixa admitiu publicamente estar negociando com o clube.

O que foi dito na reunião

O encontro aconteceu em Brasília. Pelo Corinthians, estiveram o presidente Osmar Stabile, o diretor jurídico Pedro Soares e o diretor cultural Rafael Castilho. A Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do clube, também participou, com o presidente e os vice-presidentes da entidade. Pela Caixa, participaram dirigentes do banco. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, também esteve na reunião.

No comunicado, banco e clube afirmam que as conversas para buscar “alternativas para o aprimoramento da relação” andaram e que a negociação continua, num clima descrito como de cooperação e transparência. A nota não detalha valores nem prazos para um acordo final.

A proposta do clube

O Corinthians quer zerar a dívida de cerca de R$ 630 milhões que restou da construção do estádio. A proposta é ceder à Caixa o direito de dar nome à arena, que hoje pertence à farmacêutica Hypera Pharma, dona da marca Neo Química.

Pelas contas da diretoria alvinegra, o nome do estádio vale hoje cerca de R$ 70 milhões por temporada. É bem mais do que os R$ 15 milhões por ano, corrigidos pela inflação, que a Hypera paga desde o contrato assinado em 2020. Com o valor combinado, o banco ganharia o direito de explorar o nome por um período, e a dívida seria dada como quitada.

O pacote vai além do nome do estádio. Entram na conversa a mudança de todas as contas do clube, inclusive a folha de pagamento, para a Caixa, o lançamento de títulos de capitalização e cartões ligados ao Fiel Torcedor, o programa de sócios.

Parcelas suspensas

O assunto ganhou urgência porque o Corinthians suspendeu recentemente o pagamento das parcelas do financiamento. Dos R$ 27 milhões que estavam parados numa conta reserva a favor do banco, metade (R$ 13,5 milhões) voltou para o clube e foi usada para pagar salários atrasados do time masculino. O endividamento total do Corinthians passa de R$ 2,8 bilhões, e o presidente Osmar Stabile repete que quitar o estádio é a principal meta da sua gestão. A suspensão das parcelas e a falta de caixa colocaram a dívida no centro da gestão de Stabile.

A presença da Gaviões da Fiel na mesa de Brasília chama atenção. A solução discutida mexe com um símbolo do clube, o nome do estádio de Itaquera, e por isso o assunto interessa diretamente à torcida.

O que muda para o torcedor

Se o acordo for fechado nos termos estudados, a Neo Química Arena pode ganhar um novo nome e o Corinthians deixar de pagar parcelas do financiamento, que seriam abatidas com o valor dos naming rights e dos demais produtos. Em troca, o clube passaria a concentrar sua vida financeira num único banco, e ações comerciais como o Fiel Torcedor teriam o selo da Caixa.

Por enquanto, nada está assinado. Com o termo de confidencialidade, as informações sobre valores e prazos devem sair a conta-gotas, e a divulgação do desfecho depende de nova rodada de conversas entre as partes nos próximos dias.

Correção: a dívida da Arena é de cerca de R$ 630 milhões, e não de R$ 630 milhões a R$ 660 milhões; foram retiradas informações sem confirmação sobre a presença do presidente da Caixa na reunião, o valor da multa com a Hypera e o nome de produto do banco, às 16h58.

CorinthiansCaixaNeo Química ArenaNaming rightsDívida da Neo Química Arena

Receba as notícias do Fato em Dia. Inscreva-se no canal e acompanhe as atualizações.

Direitos autorais: se você é autor de alguma imagem, fale com a gente; trocamos em até 24 h.

Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.

Últimas de Esportes

Ver tudo