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Violência no Rio

Arqueóloga Tânia Andrade Lima, de 81 anos, é baleada em assalto no Leblon, no Rio

Professora aposentada da UFRJ e participante da descoberta do Cais do Valongo foi atacada após sair de banco; polícia já identificou um dos suspeitos

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Vista do sítio arqueológico do Cais do Valongo, na zona portuária do Rio, com as ruínas em primeiro plano e prédios do entorno ao fundo
Imagem ilustrativaFoto: wagnertamanaha (CC BY-SA 2.0)

A arqueóloga Tânia Andrade Lima, de 81 anos, professora aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi baleada durante um assalto na tarde de quinta-feira (15), no Leblon, na zona sul do Rio. A imagem que ilustra esta matéria mostra o sítio do Cais do Valongo, descoberto em escavações de que ela participou, e não a vítima ou o local do crime.

O que se sabe sobre o crime

Segundo a Agência Brasil, a idosa foi abordada na esquina das ruas João de Barros e Venâncio Flores, no Leblon. Os assaltantes levaram os pertences dela e fugiram em uma motocicleta. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, ela havia acabado de sair de uma agência bancária quando foi atacada.

Os relatos divergem sobre o número de disparos. A Agência Brasil informa que o assaltante deu um tiro na mão da vítima. O Estadão, por sua vez, diz que ela foi atingida por três tiros: dois de raspão, na mão e no braço, e um na região da nuca. Segundo a reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os ferimentos no pescoço e no ombro não tinham gravidade, mas a lesão na mão exigia mais atenção médica.

Equipes da Operação Segurança Presente chegaram ao local logo em seguida e socorreram a idosa. Ela foi levada ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, e depois transferida para um hospital da rede privada.

A fuga e a investigação

De acordo com o Estadão, a dupla fugiu em direção ao Túnel Rebouças. Policiais militares montaram um cerco e interceptaram os suspeitos já dentro do túnel, no sentido Zona Norte, mas eles abandonaram uma motocicleta roubada e dois aparelhos celulares e escaparam a pé. O material recuperado foi encaminhado à 6ª Delegacia de Polícia (Cidade Nova).

O caso é investigado pela 14ª DP (Leblon), com as buscas coordenadas também pelo 23º Batalhão da Polícia Militar. A polícia já identificou um dos criminosos, e agentes da Polícia Civil trabalham para localizá-lo. Nenhum suspeito havia sido preso até a última informação disponível. Quem é apontado como suspeito de um crime só pode ser considerado culpado após condenação definitiva.

Quem é Tânia Andrade Lima

A vítima é uma referência na preservação do patrimônio histórico brasileiro. Em 2011, participou da descoberta do Cais do Valongo, na zona portuária do Rio, um dos principais pontos de desembarque de africanos escravizados nas Américas. As escavações revelaram artefatos e vestígios de cultos de regiões como Congo, Angola e Moçambique.

Professora aposentada do Museu Nacional da UFRJ, ela também é pesquisadora sênior do CNPq e presidiu a Sociedade de Arqueologia Brasileira. Recebeu em 2006 o grau de comendadora da Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, e, em 2016, o Prêmio “Faz Diferença”, do jornal O Globo. Em 2023, ganhou na Itália o Hypatia Award, concedido pela Confederação dos Centros Internacionais para a Conservação do Patrimônio Arquitetônico (CICOP Net).

Reação da universidade

À noite, o Museu Nacional da UFRJ divulgou nota oficial. A instituição manifestou solidariedade à professora aposentada e destacou a dedicação dela “ao longo de décadas de serviços prestados”. A universidade lamentou ainda que o episódio tenha ocorrido no Dia do Professor, celebrado na quinta-feira, e afirmou que casos como esse levam à reflexão sobre o “agravamento crescente do cenário de violência” na cidade.

O estado de saúde atualizado da arqueóloga não foi divulgado até a publicação desta matéria. O site acompanha o caso e atualiza o texto quando houver novas informações da polícia ou do hospital.

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