PF pede mais 90 dias a Mendonça para inquérito do Dark Horse; Flávio é investigado
Apuração no STF mira o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro por Daniel Vorcaro; pedido chega a 9 dias do segundo turno.
A Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mais 90 dias para concluir o inquérito que apura o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, aparece formalmente como investigado no caso. O pedido de prorrogação foi noticiado nesta sexta-feira (16), nove dias antes do segundo turno.
O que a PF investiga
O inquérito foi aberto em julho, a pedido da própria PF e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os investigadores apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros crimes ligados ao dinheiro que bancou a produção. O foco é o papel do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a atuação de Flávio no caso.
O assunto ganhou força em maio de 2026, quando vieram a público conversas entre Flávio e Vorcaro sobre recursos para o filme. Num primeiro momento, o senador negou ter pedido dinheiro ao banqueiro. Depois da divulgação de um áudio, recuou: reconheceu que conversou com Vorcaro para viabilizar a produção, mas sustentou que se tratava de financiamento privado e que não houve irregularidade.
Segundo a reportagem do g1, uma empresa ligada a Vorcaro teria enviado dinheiro aos Estados Unidos, e a PF tenta rastrear esses valores para saber se foram de fato aplicados no filme. Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, disse em maio à GloboNews e à TV Globo que Vorcaro respondeu por mais de 90% dos recursos. De acordo com ela, o orçamento realizado até então era de cerca de US$ 13 milhões. Flávio admitiu que Vorcaro colocou pouco mais de US$ 12 milhões no projeto.
As três frentes da apuração
Os investigadores olham para três pontos: os repasses feitos por Vorcaro a pedido de Flávio; a possibilidade de que parte do dinheiro tenha custeado a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos; e a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora.
Eduardo Bolsonaro nega ter recebido recursos de um fundo ligado a Vorcaro. Ele afirma que seu status migratório nos Estados Unidos não permitiria esse tipo de repasse e que informou a origem de seus recursos às autoridades americanas. Um contrato divulgado na época mostrava Eduardo como produtor-executivo do filme. O ex-deputado diz ter investido US$ 50 mil, valor que, segundo ele, foi devolvido, sem passar pelo fundo citado.
A investigação das emendas, com Dino
Uma segunda frente corre no STF sob relatoria do ministro Flávio Dino. Ela apura o envio de R$ 2 milhões em emendas indicadas pelo deputado federal Mario Frias (PL) ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, entidades presididas por Karina Ferreira da Gama. A apuração começou depois que a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) pediu ao Supremo que investigasse o caso.
Em 10 de setembro, a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Make Up, com 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará, autorizados por Dino. Frias e Karina estavam entre os alvos. Os crimes sob suspeita são peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Frias disse ao STF, em maio, que as emendas não foram enviadas para financiar o filme.
Um relatório da PF apontou coincidência de datas entre movimentações financeiras da Go Up e o repasse das emendas ao Instituto Conhecer Brasil. A polícia também identificou uma transferência de R$ 645,4 mil de Frias para a produtora e passou a investigar essa operação. Flávio criticou a ação e acusou Dino de interferência política na eleição, além de voltar a negar o uso de dinheiro público na produção.
O que vem agora
A decisão sobre o prazo cabe a Mendonça. A defesa de Flávio tentou, quatro vezes entre 3 e 29 de julho, levar para o gabinete de Mendonça a investigação conduzida por Dino, com o argumento de que ele já relata outras apurações sobre o filme. O que a defesa pensa sobre o novo pedido da PF não constava na reportagem de origem.
Se o ministro conceder os 90 dias, o inquérito segue aberto depois do segundo turno, marcado para 25 de outubro, e a PF ganha tempo para analisar os rastros financeiros e fechar o relatório.
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