Manaus tem 9º dia de fumaça, ar péssimo e 240 mil alunos sem aula presencial
Governo vê indícios de incêndios criminosos no Amazonas; a fumaça já chega a Porto Velho.

A capital do Amazonas amanheceu, nesta sexta-feira (16), pelo nono dia seguido sob uma nuvem espessa de fumaça de incêndios florestais. O monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental mostrou que a qualidade do ar chegou ao nível considerado péssimo. Com a situação, 240 mil alunos da rede municipal estão sem aulas presenciais há uma semana, e a Universidade do Estado do Amazonas passou a funcionar em atividades remotas.
Fogo em mata de difícil acesso
Brigadistas do Prevfogo, o programa federal de prevenção e combate a incêndios, sobrevoaram a Região Metropolitana de Manaus, que concentra a maior parte dos focos no estado. Do alto, o que se vê é uma nuvem densa avançando sobre a floresta. “As linhas de fogo são extensas e estão em área de mata, de difícil acesso”, disse o brigadista Mayangdi Cubano.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o bioma Amazônia registra mais de 22 mil focos de queimadas desde setembro. Uma força-tarefa atua no combate às chamas, com equipes federais e estaduais.
Suspeita de crime
Nesta semana, o Ministério do Meio Ambiente declarou que há indícios de que os incêndios sejam criminosos. Órgãos federais e estaduais de segurança investigam se existe uma ação coordenada na região. A apuração não apresentou, até agora, os nomes de suspeitos nas informações divulgadas pelos órgãos.
Efeitos na rotina e nos animais
A fumaça atrapalha o trabalho e a vida de quem mora na cidade. “A fumaça está prejudicando muita gente. A gente não está trabalhando direito”, contou o vendedor João César. Os animais também sofrem: na quinta-feira (15), um bicho-preguiça foi resgatado com queimaduras nos pelos e nas patas.
Em períodos de ar muito poluído, a orientação geral de saúde pública é reduzir atividades físicas ao ar livre, manter janelas fechadas nas horas de maior concentração de fumaça e beber bastante água. Crianças, idosos e pessoas com asma, bronquite ou outras doenças respiratórias merecem atenção redobrada e devem procurar atendimento médico se sentirem falta de ar.
A fumaça cruza fronteiras de estado
O vento espalha a fumaça, que chegou também a Porto Velho, capital de Rondônia. No Pará, o município de Santarém decretou situação de emergência por causa do fogo. Em Altamira, as queimadas avançam sobre a Reserva Extrativista do Riozinho do Anfrísio, e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informou que reforçou o combate às chamas. O instituto também mobilizou 127 brigadistas e helicópteros contra incêndios em unidades de conservação paraenses.
O que vem a seguir
Os órgãos de segurança ainda precisam esclarecer se há uma ação organizada por trás dos focos. Enquanto isso, as equipes de combate seguem em campo, e a volta das aulas presenciais na rede municipal de Manaus depende da melhora da qualidade do ar, sem data definida nas informações divulgadas. O Fato em Dia atualiza esta matéria quando houver novos dados do Inpe, do Ministério do Meio Ambiente ou da prefeitura de Manaus.
Dois dados que ajudam a dimensionar
Pelos números oficiais, são mais de 22 mil focos de queimadas na Amazônia desde setembro, no bioma que abriga a capital amazonense. Para o morador de Manaus, o efeito mais direto é o ar: nove dias seguidos de fumaça significam nove dias de exposição a partículas que irritam olhos, nariz e garganta.
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