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Justiça de SP torna ré a PM Yasmin Ferreira pela morte de Thawanna Salmázio

Policial responde por homicídio triplamente qualificado; promotores pedem R$ 1 milhão de reparação à família da vítima.

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Fila de viaturas brancas e vermelhas da Polícia Militar de São Paulo estacionadas em uma via cercada de árvores
Foto de arquivo: Viaturas da Polícia Militar de São Paulo enfileiradasFoto: Alexandre Carvalho/A2img (CC BY 2.0)

Resumo

  • A Justiça paulista aceitou a denúncia e tornou ré a policial militar Yasmin Ferreira.
  • Ela responde por homicídio triplamente qualificado na morte de Thawanna Salmázio, em abril.
  • Os promotores pedem indenização mínima de R$ 1 milhão aos familiares.

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e transformou em ré a policial militar Yasmin Ferreira, acusada de matar a tiros Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem na Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital. A decisão foi tomada nesta terça-feira (20). O crime ocorreu em 3 de abril.

A soldado vai responder por homicídio triplamente qualificado, pelos agravantes de motivo fútil, crueldade e uso de meio que impediu a vítima de se defender. Assinam a denúncia os promotores Lucas de Mello Schaefer e Rodolfo Justino de Morais, que também querem que a Justiça fixe um valor mínimo de R$ 1 milhão para reparar os danos sofridos pela família.

O que diz a acusação

Segundo o Ministério Público, Thawanna caminhava pela rua com o companheiro quando uma viatura da PM passou perto do casal e a lataria encostou no braço do homem. A partir daí, o desentendimento cresceu. Na versão da denúncia, a policial disparou uma vez com uma arma calibre .40, e o tiro atingiu o abdômen da mulher, que estava desarmada.

A acusação sustenta que o uso de força letal não tinha justificativa. Os promotores ainda registram que Thawanna ficou por mais de meia hora no local, ferida, antes de ser socorrida. O Samu a levou ao Hospital Tiradentes, mas ela não resistiu.

A versão do companheiro e a dos policiais

O companheiro de Thawanna, Luciano Gonçalves Santos, contou na época que perdeu o equilíbrio e bateu com o braço no retrovisor do carro da polícia. Os agentes pararam para averiguar o que havia acontecido, e a situação virou uma confusão. Os policiais declararam que precisaram usar força física para conter o casal, e a policial alegou ter sido agredida pela mulher.

O ouvidor da Polícia de São Paulo, Mauro Caseri, contestou essa versão em abril. Segundo ele, as testemunhas descrevem uma conversa mais áspera entre as duas, depois da qual a policial se afastou um pouco e atirou. Caseri também afirmou que o companheiro tentou socorrer Thawanna e foi impedido pelos policiais, o que classificou como um erro.

Como o caso foi investigado

Poucos dias depois do crime, o Ministério Público anunciou que apuraria a morte por meio do Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp). Em 15 de abril, a Ouvidoria da Polícia pediu a investigação do disparo e encaminhou ofício à Corregedoria da PM para que fosse aberto procedimento disciplinar sobre a possível omissão de socorro dos policiais que estavam na cena.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou à época que o caso era apurado com prioridade pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e por um Inquérito Policial Militar, com acompanhamento das corregedorias. Segundo a pasta, os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais e as imagens das câmeras corporais foram anexadas aos inquéritos.

Tempo do socorro

O ouvidor chamou atenção para o tempo de atendimento. De acordo com o relato divulgado em abril, o socorro do Samu levou mais de 30 minutos para chegar, e depois a vítima foi levada ao hospital em cerca de 3 minutos. “Se o tempo para ela ser socorrida fosse 10, 15, 20 minutos, talvez ela tivesse sobrevivido”, disse Caseri.

O que acontece agora

Com a denúncia aceita, a ação penal passa a correr na Justiça paulista, e a policial responde ao processo como ré. Ser ré não significa condenação: o caso ainda será julgado, e ela tem direito à ampla defesa. A fixação da indenização mínima pedida pelo Ministério Público será analisada pelo juízo ao longo do processo.

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