Pular para o conteúdo

Japão monta time de IA para simular ataques; SoftBank pausa alertas de sismo

Falha no PHP derrubou serviços de bancos, ferrovia e governo; operadora com 30 milhões de clientes suspende avisos de desastre.

WhatsApp Facebook X Telegram
Retrato de Ryosei Akazawa, homem de óculos, terno azul-escuro e gravata vermelha, sorrindo diante de fundo branco
Foto de arquivo: Ryosei Akazawa, ministro da Economia, Comércio e Indústria do JapãoFoto: Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Resumo

  • O Japão vai criar uma equipe que usa inteligência artificial para simular ataques cibernéticos.
  • A SoftBank, com mais de 30 milhões de clientes de smartphone, suspendeu o sistema de alertas de emergência para corrigir a falha no PHP.
  • Bancos, companhia aérea, ferrovia e órgãos do governo japonês também tiraram serviços do ar.

O Japão vai montar um grupo de especialistas que usará inteligência artificial para reproduzir ataques hackers e descobrir pontos fracos nos sistemas do país. O anúncio saiu nesta sexta-feira (23), em meio a uma onda de invasões e paralisações provocada por falhas no PHP, linguagem presente em boa parte dos sites do mundo.

O ministro da Indústria, Ryosei Akazawa, explicou o raciocínio à Reuters: basta uma brecha para o ataque funcionar, então é preciso pensar como o invasor. Segundo ele, quem defende os sistemas também deve adotar a IA e se antecipar.

Operadora suspende avisos de terremoto

A consequência mais delicada apareceu na SoftBank, terceira maior operadora móvel japonesa. A companhia desligou o serviço que manda alertas de emergência aos celulares e disse, nesta sexta, que ele ficará fora do ar até que a correção no PHP seja concluída.

Mais de 30 milhões de clientes com smartphone ficam sem os avisos prévios de abalos sísmicos, de tsunami e de evacuação. A SoftBank diz que os usuários ainda podem receber o alerta de terremoto por outras vias, como um aplicativo da Yahoo. O risco é maior porque o país convive com tremores com frequência e o tufão Champi se aproxima de Okinawa, no extremo sul.

Quem parou

Desde o início da semana, a crise paralisou, de Tóquio a Helsinque, serviços de bancos, companhias aéreas, trens, cobrança de impostos e repartições. No Japão, suspenderam parte dos serviços on-line a ANA, a JR East, o Mitsubishi UFJ e a corretora Nomura. Também saíram do ar páginas do Ministério das Finanças, da Agência Nacional de Impostos e da Agência Meteorológica.

A recuperação é gradual. A JR East disse que parte dos serviços de empresas do grupo voltou e que o restante só retornará depois de checagem de segurança. A Nippon Paint aplicou a atualização como precaução e já colocou o site de volta.

Dúvidas sobre a resposta

O presidente da empresa de segurança S&J Corp, Nobuo Miwa, de Tóquio, acha que o governo demorou a reagir e comparou a situação a enfrentar um homem-bomba armado com uma lança de bambu. Eva Chen, chefe da Trend Micro, afirmou que as empresas japonesas atraem os criminosos porque guardam registros muito detalhados, e que a IA derrubou a barreira do idioma para esse tipo de ataque. Para ela, o país confiou demais na proteção de sua infraestrutura atual.

Como o caso começou

Governos e empresas passaram a desligar sites na quarta-feira (21) para evitar invasões. As falhas podem permitir que criminosos dominem servidores sem usar login nem senha, e já existe atualização que as corrige. A Fundação PHP reconheceu que os primeiros indícios surgiram em 2024 e culpou a falta de recursos e as dificuldades de decisão da equipe de segurança pela demora. No Brasil, a Anatel e tribunais bloquearam por prevenção o acesso ao SEI, e não há registro de grandes efeitos no país até agora.

PHPJapãoSegurança digitalInteligência artificialSoftBankFalhas no PHP

Siga o Fato em Dia YouTube Instagram TikTok

Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.

Mais sobre o assunto

Últimas de Tecnologia e IA

Ver tudo