Concentração de CO2 na atmosfera bate recorde em 2025, diz a OMM
Boletim da agência da ONU aponta 426,8 ppm, 153% do nível pré-industrial; metano e óxido nitroso também chegam a máximas.

Resumo
- A OMM, agência da ONU, diz que o CO2 chegou a 426,8 ppm em 2025, o maior valor já medido.
- A alta de 2,8 ppm foi menor que a do ano anterior, mas acima da média da década.
- A agência prevê nova alta em 2026, com o El Niño forte, às vésperas da COP31, em novembro.
A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera chegou em 2025 ao nível mais alto já medido: 426,8 partes por milhão (ppm), o equivalente a 153% do patamar de 1750, antes da industrialização. O dado consta do novo Boletim de Gases de Efeito Estufa da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, divulgado nesta terça-feira (27), em Genebra.
O metano, segundo gás mais importante entre os de longa duração ligados à atividade humana, e o óxido nitroso, o terceiro, também bateram recorde. “Mais um ano, mais um recorde. Os gases de efeito estufa estão retendo uma quantidade sem precedentes de calor na atmosfera”, disse a vice-secretária-geral da OMM, Ko Barrett. Segundo ela, os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados e a tendência deve continuar.
Os números do boletim
- CO2: 426,8 ppm em 2025, ou 153% do nível pré-industrial. Em 2004, quando o boletim foi publicado pela primeira vez, a média anual medida pela rede de estações da OMM era 377,5 ppm.
- Metano: 1.948 partes por bilhão (ppb), 267% do nível de 1750. Cerca de 35% das emissões vêm de fontes naturais, como áreas alagadas, e 65% de atividades humanas, como pecuária, cultivo de arroz, exploração de combustíveis fósseis, aterros e queima de biomassa.
- Óxido nitroso: 339,1 ppb em 2025, 126% do nível de 1750. Vem de fontes naturais e de atividades como queimadas, uso de fertilizantes e processos industriais.
A conta em perspectiva
Entre 2004 e 2025, a concentração de CO2 subiu 49,3 ppm, ou cerca de 13% (426,8 menos 377,5). O ritmo de crescimento também acelerou: a taxa anual triplicou desde a década de 1960, de 0,8 ppm por ano para 2,4 ppm ao ano entre 2011 e 2020.
De 2024 para 2025, a alta foi de 2,8 ppm, acima da média da última década, mas um pouco menor que o salto excepcional de 2023 para 2024. A pesquisadora da OMM Oksana Tarasova atribui o ritmo mais moderado à recuperação dos sumidouros de carbono em terra e à redução das emissões de incêndios em 2025, depois do El Niño forte de 2023 e 2024, que ampliou a seca, deixou a vegetação mais seca e aumentou as queimadas.
Por que importa
O boletim mede a concentração, ou seja, o que se acumula na atmosfera, e não as emissões novas de cada ano. Cerca de metade do CO2 emitido anualmente permanece no ar; o restante é absorvido por ecossistemas terrestres e pelos oceanos. Como o gás tem vida muito longa, o efeito se estende por décadas e séculos. De acordo com os dados do órgão americano NOAA citados pela OMM, entre 1990 e 2025 o efeito de aquecimento dos gases de longa duração aumentou 56%, e o CO2 respondeu por cerca de 81% dessa alta.
O que vem pela frente
Tarasova disse esperar nova alta da concentração em 2026, por causa da queima de combustíveis fósseis e do desenvolvimento de um El Niño potente, que deve afetar os sumidouros de carbono em terra como na onda de 2023 e 2024. Ela também alertou para o risco crescente de o oceano absorver menos CO2 num clima em mudança.
Em atualização divulgada neste mês, a própria OMM prevê que a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical, epicentro do fenômeno, pode chegar a 3,8 °C acima do normal no trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027. O boletim foi divulgado como subsídio científico para os negociadores da conferência do clima da ONU, a COP31, que ocorre de 9 a 20 de novembro em Antalya, na Turquia, com o objetivo de transformar compromissos climáticos em ações concretas.
Os dados completos estão no comunicado da OMM.
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