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Estiagem e queimadas

Amapá decreta situação de emergência em todo o estado por causa da estiagem

Decreto vale por 180 dias e prevê reforço de água, ajuda humanitária e combate a incêndios; estado espera reconhecimento federal.

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Barco de madeira inclinado sobre o leito seco de um rio, com água baixa e mata ao fundo, sob céu azul
Foto de arquivo: Barco encalhado na margem seca de um rio da Amazônia — Imagem ilustrativaFoto: Judison Godinho de Sousa (CC BY 4.0)

Todo o território do Amapá está agora sob situação de emergência por causa da seca. O governador Clécio Luís assinou na sexta-feira (16) o Decreto nº 7.183, publicado no Diário Oficial do estado, com validade de 180 dias.

A intenção é dar mais força a quatro frentes: ajuda humanitária, garantia de água para a população, proteção das comunidades mais vulneráveis e mais prevenção e combate ao fogo na vegetação. A Defesa Civil estadual (GDEC/AP) coordena as ações, em conjunto com as defesas civis dos municípios, monitorando os efeitos da estiagem e dando suporte a quem foi atingido.

“O decreto nos permite alcançar com mais eficiência as áreas e pessoas que, de alguma forma, foram atingidas pela estiagem, que este ano está mais grave em função do El Niño”, disse o governador.

Mata queimando e rios em queda

De acordo com o governo do estado, há focos de fogo em áreas de mata e floresta em cidades amapaenses, e o nível dos rios caiu de maneira expressiva por causa do período de seca que atinge várias regiões do Amapá.

O decreto relaciona o agravamento do clima ao El Niño, que é o aquecimento fora do normal da superfície do Pacífico Equatorial. Também pesam na decisão o crescimento dos focos de calor e os danos sofridos por comunidades da zona rural e ribeirinhas.

Os números ajudam a explicar a medida. Com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o governo informa que o Amapá somou 798 focos de calor de 1º de janeiro a 16 de outubro deste ano. No mesmo intervalo de 2025, tinham sido 245, um salto de quase 225%. A avaliação socioassistencial estadual calcula que cerca de 91 mil pessoas foram afetadas, numa estimativa feita por projeção demográfica proporcional. A Defesa Civil já aponta prejuízos no acesso à água, na segurança alimentar, no sustento das famílias e na navegação pelos rios.

O que o estado já fez

Segundo números do governo, 611 operações preventivas e 376 intervenções contra as chamas foram feitas desde agosto em todo o estado. Esse trabalho integra a Operação Amapá Verde, do Corpo de Bombeiros Militar, que continua nos 16 municípios com 81 militares, 14 picapes e 12 bases operacionais.

“Apesar das 611 operações de prevenção e 376 ações de combate a esses focos desde agosto, por meio da Operação Amapá Verde e todos os investimentos, é necessária a decretação da situação de emergência”, afirmou Clécio.

Antes do decreto estadual, três municípios já tinham declarado emergência por conta própria: Cutias, Tartarugalzinho e Amapá.

Agora, o governo amapaense espera que o poder federal reconheça a emergência. O pedido vai com o plano de resposta preparado pelo próprio estado.

O que muda para a população

Com a emergência declarada, os órgãos estaduais podem adotar medidas extraordinárias para enfrentar a seca, como reforçar o abastecimento de água, o apoio a comunidades vulneráveis e o combate a incêndios. Famílias rurais e ribeirinhas estão entre as mais atingidas pela queda dos rios e pela fumaça das queimadas.

Seca atinge outras partes da Amazônia

O cenário do Amapá se soma ao de outras regiões da Amazônia. Em Manaus, o índice de qualidade do ar medido pela plataforma IQAir chegou a 657 pontos na manhã deste sábado (17), faixa classificada como perigosa. Em Santarém, no Pará, a prefeitura decretou emergência por causa da estiagem na quinta-feira (15).

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