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Privacidade

Meta admite que óculos Ray-Ban gravaram conversas sem o comando de ativação

Empresa diz que a falha foi corrigida; relatos de usuários citam áudios e transcrições que apareciam no app Meta AI depois de atualização do firmware

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Óculos Ray-Ban Meta de armação preta, com câmera discreta no canto da armação, apoiados diante do estojo marrom da marca
Foto de arquivo: óculos Ray-Ban Meta de primeira geração, com o estojo, em 2025Foto: CCadio/Wikimedia Commons

A Meta confirmou que os óculos inteligentes Ray-Ban Meta tiveram uma falha que permitia registrar conversas mesmo sem o comando de ativação “Hey Meta”. Os áudios capturados apareciam depois no aplicativo Meta AI, acompanhados de transcrições em texto. A empresa afirma que o problema já foi resolvido, mas não explicou o que o causou.

O que os usuários relataram

Os relatos circularam no Reddit depois de uma atualização recente do firmware dos óculos, segundo o site TechSpot. Um dos usuários diz ter encontrado conversas gravadas mesmo com o recurso “Respond without Hey Meta”, que permite continuar algumas interações sem repetir a frase de ativação, desligado. Ele também afirma que a luz branca indicadora, que acende quando recursos de captura estão em uso, chegou a se acender durante algumas gravações. Esse LED é um dos principais mecanismos de segurança que a empresa promete.

O mesmo usuário diz ter recebido do suporte da Meta a orientação de desativar permissões de câmera e microfone, a detecção de uso dos óculos, apagar o histórico de comandos e interromper temporariamente as atualizações automáticas. Na visão dele, as medidas afetariam as principais funções do aparelho. Ele afirma ainda estar conversando com advogados sobre uma possível ação coletiva contra a empresa.

O que diz a Meta

Em nota, a Meta declarou: “Este problema foi resolvido. As pessoas podem gerenciar, revisar e excluir registros de voz de suas interações com o Meta AI por meio das configurações a qualquer momento”. Quem usa o aparelho pode, portanto, abrir o aplicativo Meta AI, conferir o histórico de voz e apagar o que não quiser manter. Os óculos são vendidos no Brasil a partir de R$ 3.699.

Histórico de problemas de privacidade

O episódio se soma a outras polêmicas envolvendo os óculos com câmera e microfone da empresa. Há usuários que aproveitam a discrição da câmera para fazer conteúdo para redes sociais gravando outras pessoas sem consentimento. Relatos de trabalhadores terceirizados que revisam gravações feitas pela inteligência artificial dos aparelhos indicam, segundo o TechSpot, que o equipamento teria captado consumidores em situações privadas, e o material era analisado em trabalhos de treinamento do sistema de IA da Meta.

Por causa disso, a companhia vem atualizando seus mecanismos de segurança, sobretudo o LED que sinaliza gravação. Os óculos passaram a bloquear a captura quando identificam que a luz está coberta ou danificada. Em setembro, a empresa disse ao Tecnoblog que havia desativado 0,1% dos aparelhos vendidos, por indícios de adulteração.

Regras e fiscalização no Brasil

Os dispositivos também são alvo de discussão sobre regras e leis em vários países. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) incluiu os óculos entre os itens proibidos nas cabines de votação, e o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) acionou o Ministério Público Federal para investigar os riscos dos aparelhos.

O que fazer

Quem tem os óculos pode revisar as configurações de privacidade do app Meta AI, apagar gravações de voz antigas e manter o firmware atualizado, já que a empresa diz ter corrigido a falha.

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