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Cheia em Foz do Iguaçu

Passarela das Cataratas do Iguaçu segue fechada; veja quando pode reabrir

Vazão chegou a 15,8 milhões de litros por segundo e passou por cima da estrutura; reabertura depende de vistoria e de queda da água.

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Passarela de metal com grades verdes avança sobre a água barrenta e espumante das Cataratas do Iguaçu em cheia
Passarela das Cataratas do Iguaçu cercada pela água do rio em cheiaFoto: Gregory Felito (CC BY-SA 3.0)

A passarela que leva os turistas ao mirante da Garganta do Diabo, no Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), continua fechada depois da cheia que cobriu o caminho na quarta-feira (14). Neste sábado (17), a reabertura depende de duas coisas: a vazão do rio precisa cair e uma vistoria técnica precisa liberar a estrutura.

Os números da cheia

Na quarta-feira, o volume de água nas Cataratas chegou a 15,8 milhões de litros por segundo, mais de dez vezes a média histórica, de 1,5 milhão de litros por segundo. A água passou por cima da passarela, que foi fechada aos visitantes. Na sexta-feira (16), a vazão estava em 10,6 milhões de litros por segundo, ainda cerca de sete vezes acima da média.

A passarela já passou por situação pior. Em junho de 2014, a vazão das Cataratas chegou a 46 milhões de litros por segundo, quase três vezes o valor registrado agora.

Quando a passarela reabre

A Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela visitação do parque, informou que o acesso só volta a receber turistas quando duas condições forem cumpridas: a vazão precisa ficar abaixo de 8 milhões de litros por segundo e um engenheiro estrutural precisa confirmar, em vistoria, que é seguro. O profissional examina os pilares e outros componentes, aponta eventuais riscos e emite um laudo técnico.

Antes disso, as equipes também têm de recolocar as grades metálicas de proteção, retiradas de forma preventiva durante as cheias. A instalação é feita aos poucos, em trechos restritos da passarela. A concessionária ainda acompanha as condições da bacia do Rio Iguaçu e dos reservatórios das hidrelétricas, para reduzir o risco de uma nova alta da vazão logo depois da reabertura.

Por que a estrutura resiste

A passarela fica exposta à força do rio, mas é sustentada por fundações do tipo estaca-raiz, que prendem a estrutura diretamente à rocha por meio de perfurações com aço e cimento aplicado sob pressão. “A estaca-raiz é uma estaca que faz embutimento na rocha e isso faz com que ela absorva grandes esforços”, explicou Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo, empresa responsável pelas fundações.

A construção da passarela atual começou em 1992, depois que a estrutura anterior, inaugurada em 1970, foi levada por uma cheia na década de 1980. A nova foi remontada em 1993. O engenheiro Márcio Marcon, que trabalhou no projeto, contou que foi preciso desviar o Rio Iguaçu para secar o local das fundações. Uma primeira tentativa de desvio, perto das quedas, foi arrastada pela correnteza; o desvio definitivo foi feito a alguns quilômetros das Cataratas.

Monitoramento depois da água

Segundo a concessionária, a estrutura é monitorada por inspeções e por pequenos equipamentos, chamados prismas, instalados em pontos estratégicos. Eles permitem que uma estação topográfica compare a posição atual dos pilares com as medições anteriores e detecte deslocamentos de poucos milímetros, invisíveis a olho nu.

“Desde que a gente assumiu, que a gente começou a fazer esse monitoramento, nunca teve nenhuma alteração, nem que seja milimetricamente”, afirmou André Franzini, gerente de sustentabilidade da concessionária. As avaliações são anuais, mas podem ser antecipadas depois de cheias ou se algo mudar.

O que isso significa para quem vai viajar

Quem tem passagem ou hospedagem marcada em Foz do Iguaçu deve conferir a situação do acesso diretamente com a concessionária antes de ir ao parque, porque a reabertura depende da vazão do rio e das vistorias, e não de um calendário fixo. A retirada das grades durante as cheias faz parte de um protocolo de segurança: sem elas, a água passa com menos resistência e galhos e troncos carregados pela correnteza não ficam presos à estrutura.

Enquanto a vazão não baixar de 8 milhões de litros por segundo, a passarela permanece fechada.

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