Ciclone na costa gaúcha traz rajadas de 76 km/h e mar de até 3,5 m em SC
Inmet mantém alerta laranja de vento no litoral do Sul até o fim do sábado; o sistema se afasta no domingo e abre espaço para o frio.

O sábado (17) é de vento forte e mar bravo no litoral do Sul do país por causa de um ciclone extratropical que gira em alto-mar, diante da costa gaúcha. O centro do sistema estava na altura do Chuí, no extremo sul gaúcho, e a imagem do satélite GOES-19 feita no início da tarde mostra com clareza a espiral de nuvens sobre o mar.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém, até as 23h59 deste sábado, um aviso laranja, de perigo, para ventos costeiros em cidades à beira-mar do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná. O instituto avisa que o vento pode empurrar a areia das dunas para cima de casas e construções na orla e orienta a população a acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.
Onde o vento foi mais forte
Até o começo da tarde, as estações meteorológicas gaúchas mediram rajadas de 76 km/h no Chuí, a maior do dia. Mostardas teve 67 km/h e São Lourenço do Sul, 66 km/h. Em Rio Grande a marca foi de 59 km/h, e em Porto Alegre, de 57 km/h. Tramandaí (56 km/h), Rolante (53 km/h) e Campo Bom (52 km/h) completam a lista.
Ainda assim, a MetSul Meteorologia classifica o ciclone como um sistema fraco: a pressão no centro foi estimada em 995 hPa. A faixa de vento mais intenso ficou sobre o oceano, sem chegar ao continente. Nesse tipo de situação, as rajadas mais fortes costumam ocorrer do meio da manhã ao início da tarde, e a previsão era de que o vento perdesse força aos poucos ao longo da tarde. A empresa de meteorologia apontou ainda a chance de quedas de energia isoladas no litoral por causa do vento.
Ondas altas em Santa Catarina
No litoral catarinense, a preocupação maior é o mar. A Defesa Civil de Santa Catarina prevê ondas de 2,5 a 3,5 metros vindas do sul e classifica como moderado o risco de ocorrências ligadas à agitação marítima. O momento mais delicado deve ser a noite deste sábado.
O órgão pede que pescadores, moradores e banhistas evitem navegar e fiquem longe de praias expostas, costões e marinas enquanto o mar estiver agitado. Nas áreas da serra e do litoral, as rajadas podem chegar a 70 km/h; por isso, a recomendação é também manter distância de árvores, placas e estruturas de metal. Pancadas de chuva fracas e isoladas ainda podem cair na faixa que vai do Litoral Sul catarinense até a região de Florianópolis, mas o tempo fica firme na maior parte do estado.
O que vem depois: frio e geada
O ciclone deve seguir para leste e se afastar do continente a partir da noite. No domingo (18), o vento perde força no território gaúcho, mas a faixa litorânea continua ventosa.
O sistema também empurra para o Brasil uma massa de ar frio vinda da Argentina. Os primeiros efeitos apareceram já no amanhecer deste sábado: Santana do Livramento registrou 5,8°C; Quaraí e Soledade, 6,7°C; Gramado e São Francisco de Paula, 7,4°C. Na serra catarinense, Urupema marcou 4,4°C.
As madrugadas mais geladas devem ser as de segunda (19) e terça-feira (20). Muitas cidades do Sul devem ficar abaixo de 10°C, e várias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, abaixo de 5°C. Nas áreas mais altas da divisa entre os dois estados, como São José dos Ausentes (RS) e São Joaquim (SC), os termômetros podem ficar negativos. Em Porto Alegre, a mínima prevista para o começo da semana é de 10°C a 12°C.
A geada tardia é provável nas partes mais altas da Serra do Sudeste, do nordeste gaúcho, do Planalto Sul catarinense e do Planalto de Palmas, no Paraná, mas não de forma generalizada. Por se tratar de uma massa de ar sem grande intensidade, em pleno outubro, a expectativa é de noites frias e tardes amenas, e não de um frio rigoroso de inverno.
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