STF completa um ano com 10 ministros e vaga de Barroso segue em aberto
Senado rejeitou Messias em abril, e Lula avalia indicar um novo nome ainda neste ano. Rodrigo Pacheco segue cotado.

O Supremo Tribunal Federal (STF) chega a este domingo (18) com um ano inteiro funcionando sem um de seus 11 integrantes. Desde 18 de outubro de 2025, quando Luís Roberto Barroso iniciou oficialmente a aposentadoria, a Corte opera com 10 ministros, e a cadeira dele continua vazia.
O que a vaga em aberto muda
Com um gabinete a menos, o tribunal sente o efeito no cotidiano. Os processos que seriam herdados pelo sucessor de Barroso ficam à espera, e os dez ministros em atividade acabam recebendo mais casos novos, porque o sorteio das relatorias envolve um número menor de nomes.
O cenário de hoje é muito diferente do de um ano atrás. Barroso comunicou a saída quando os grandes julgamentos da trama golpista já tinham terminado, inclusive o que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Depois disso, o ambiente mudou bastante.
Uma corte sob pressão
A ala bolsonarista sempre criticou o Supremo, mas parte dos brasileiros e de governos estrangeiros via a Corte como peça central na defesa da democracia, e o ambiente interno era de respeito entre os ministros. Nos últimos meses, o tribunal entrou numa de suas piores crises.
Tudo se agravou quando vieram a público conversas que seriam de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, com o ministro Alexandre de Moraes. O conteúdo levantou a suspeita de que Moraes teria intermediado interesses de Vorcaro perante a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal.
Na sequência, Moraes contestou a forma como André Mendonça relata os processos do caso Master e do INSS e pediu apuração de condutas que, no entendimento dele, indicariam improbidade e conflito de interesses. Também ganharam espaço revelações sobre os vínculos de Kassio Nunes Marques e de Dias Toffoli com Vorcaro.
O desgaste não ficou só do lado de fora: expôs rachaduras entre os próprios ministros, num período em que Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) polarizam a disputa presidencial. Para Lula, que tenta a reeleição, a imagem abalada do Supremo virou um problema político, e pesquisas mostraram impacto negativo na avaliação do governo e no cenário eleitoral.
Messias, a derrota no Senado e o nome de Pacheco
Cerca de trinta dias após a aposentadoria de Barroso, Lula indicou, para ocupar o lugar, o chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias. No Senado, o indicado encontrou barreira: o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), preferia o então senador Rodrigo Pacheco. Foram meses de negociação e de atrito entre o Palácio do Planalto e o Congresso.
A sabatina só foi agendada quatro meses depois da indicação. Na votação em plenário, Messias não alcançou os 41 votos necessários e foi rejeitado, em abril. O Senado não barrava um nome presidencial para o Supremo havia 132 anos. Com a derrota, a decisão voltou para Lula, e a cadeira continua desocupada.
O que pode acontecer agora
Lula pondera enviar um novo nome ainda em 2026, mesmo que não vença a eleição do dia 25 e deixe o Planalto no fim do mandato. A CNN apurou que Rodrigo Pacheco, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), continua com o nome forte para a vaga, numa aposta para aumentar a chance de aprovação e não repetir o revés no Congresso.
O resultado das urnas, portanto, pode alterar a cara do tribunal. Com as aposentadorias previstas nos próximos quatro anos, o vencedor deve poder indicar pelo menos três ministros. A conta sobe caso prosperem pedidos de impeachment contra integrantes da Corte, que tendem a ganhar força no Congresso empossado em 2027, e Moraes deve ser o principal alvo.
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