Polícia do Rio prende a última foragida de esquema de exploração sexual de menores
Suspeita foi detida em abrigo em Itaboraí; grupo, chefiado por professor preso desde março, tem quatro investigados pela Dcav.

A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), do Rio de Janeiro, prendeu a última foragida de um esquema de exploração sexual de menores desmontado pela Polícia Civil. Mariana de Oliveira Minas, de 42 anos, foi detida na quarta-feira (14), em um abrigo em Itaboraí, na Região Metropolitana. As informações vieram a público neste sábado (17).
Quem são os alvos
Segundo a investigação, o grupo era dividido em funções. O professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins, apontado como chefe, está preso desde março e responde a processo na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital (Veca), do Tribunal de Justiça do Rio. Ele já teve a prisão preventiva decretada.
De acordo com a Dcav, Ariane de Oliveira Minas e Mariana Minas eram responsáveis pelo recrutamento e pela entrega das vítimas, e Luiz Alberto Martins Sobrinho fazia o aliciamento direto e participava dos abusos. Mariana foi empregada de Cordovil, segundo a polícia.
Na semana passada, Luiz Alberto, de 68 anos, foi preso na Gávea, na Zona Sul, e Ariane foi presa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Os dois eram alvos de pedidos de prisão temporária expedidos pela Veca. Mariana era a última foragida do grupo.
Do que são acusados
Segundo a delegada titular da Dcav, Maria Luiza Machado, os três respondem por estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição e associação criminosa. Luiz Alberto também responde por armazenamento de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil. Cordovil responde, além disso, por produção, armazenamento e compartilhamento desse tipo de material.
As investigações indicam que o chefe do grupo se aproveitava da vulnerabilidade social das vítimas para se aproximar delas, oferecendo dinheiro, lanches, presentes, celulares e outras vantagens. Segundo a polícia, essas ofertas serviam também para “comprar” o silêncio das vítimas. Mensagens obtidas depois da quebra de sigilo mostram, de acordo com a Dcav, que Mariana apresentava fotos de meninas menores de idade ao chefe do grupo.
Como a polícia chegou a Mariana
Em agosto de 2026, cinco meses depois da prisão de Cordovil, um homem levou uma criança à delegacia de Itaboraí depois de encontrá-la sozinha em um bar. A menina disse que tinha um celular dado pela mãe, Mariana, e que não a via desde o dia anterior. O caso foi registrado na 71ª DP como abandono de incapaz, e a criança morava com Mariana em um abrigo no município, segundo o registro. Foi nesse abrigo que a suspeita acabou presa.
O outro lado
A defesa de Cordovil informou, em nota, que ainda não teve acesso integral aos autos e que só vai se manifestar publicamente depois de analisar todo o material. A nota é assinada pelos advogados Raphaella Estrella, Flavio Biolchini e Felipe Braga. As defesas de Mariana, de Ariane e de Luiz Alberto não foram localizadas.
Todos os citados são investigados ou réus e têm direito à ampla defesa; a culpa só é definida em julgamento.
Como denunciar
Casos de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100, canal do governo federal que funciona 24 horas e é gratuito, e pelo 190, em caso de emergência. A denúncia pode ser anônima.
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