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Saúde

OMS aprova proposta do Brasil para identificar feminicídios na Classificação de Doenças

Decisão foi unânime em reunião na Austrália; ideia é registrar mortes de mulheres por violência de gênero que hoje aparecem só como agressões

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Alexandre Padilha, de óculos de armação marrom e jaqueta branca do SUS, fala diante de um microfone, com painéis da conferência ao fundo
Foto de arquivo: o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na abertura da Conferência Internacional de Aids, no Rio, em julho de 2026Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou, na quinta-feira (15), uma proposta apresentada pelo Brasil para aprimorar a identificação da violência baseada em gênero na Classificação Internacional de Doenças, a CID-11. A mudança permitirá registrar de forma específica as mortes de mulheres decorrentes desse tipo de violência, como os feminicídios.

A decisão foi tomada por unanimidade durante a Reunião Anual da Rede de Centros Colaboradores para a Família de Classificações Internacionais da OMS, realizada em Sydney, na Austrália. A proposta partiu do Ministério da Saúde brasileiro.

Por que a mudança importa

A CID-11 é o sistema que a OMS usa para padronizar a identificação de doenças, condições de saúde e causas de morte em todo o mundo. É a partir dela que médicos, hospitais e governos registram, por exemplo, de que uma pessoa morreu.

Hoje, quando uma morte de mulher motivada por ódio ou discriminação de gênero é registrada apenas como agressão, as circunstâncias ligadas ao gênero podem ficar escondidas nas estatísticas. A proposta brasileira busca justamente dar visibilidade a esses casos, para que o problema possa ser dimensionado com mais precisão.

Segundo o Ministério da Saúde, a identificação mais detalhada permitirá ampliar o conhecimento sobre a violência e dar base ao planejamento e à avaliação de políticas públicas de prevenção e de proteção às mulheres. Como o sistema é internacional, os dados também passam a ser comparáveis entre países, o que ajuda cada governo a avaliar se as estratégias que adotou estão funcionando.

Efeito nos serviços de saúde

Além de melhorar as estatísticas de mortalidade, a iniciativa pode ajudar a reconhecer situações de violência já nos serviços de saúde. Muitas mulheres procuram atendimento médico por causa de agressões e de outras formas de violência, e um registro mais preciso pode mostrar trajetórias de violência ao longo do tempo.

Com essas informações, segundo o ministério, as equipes ficam mais bem preparadas para orientar medidas de prevenção, de cuidado e de proteção. Para o leitor, isso significa que o atendimento numa unidade de saúde pode se tornar uma porta para identificar e interromper um ciclo de violência antes de ele terminar em morte.

O que ainda não se sabe

O texto divulgado pelo governo brasileiro não informa quando a alteração será incorporada à CID-11 nem como ela será implementada nos sistemas de registro de cada país. Ou seja, a aprovação é um passo importante, mas o efeito prático nos atestados e nas estatísticas dependerá das etapas seguintes.

Outras ações do governo

A proposta aprovada pela OMS faz parte de um conjunto de iniciativas do Ministério da Saúde para enfrentar a violência contra as mulheres. Neste ano, além do acolhimento já oferecido nos serviços de saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer teleatendimento em saúde mental para mulheres em situação de violência. O serviço está disponível pelo aplicativo Meu SUS Digital.

O encontro na Austrália

A reunião da Rede de Centros Colaboradores para a Família de Classificações Internacionais da OMS começou na segunda-feira (12), em Sydney, e reúne especialistas para discutir propostas de aprimoramento da CID-11. A iniciativa brasileira foi aprovada na quinta, e o encerramento do encontro está previsto para este sábado (17), depois da conclusão das discussões técnicas.

Em resumo

  • A OMS aprovou por unanimidade a proposta do Brasil sobre violência baseada em gênero na CID-11.
  • A ideia é identificar nas estatísticas as mortes de mulheres por esse tipo de violência, como os feminicídios.
  • Ainda não há data para que a mudança passe a valer nos sistemas de registro.

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