Corinthians deixa vencer parcela de R$ 8 milhões e Cuiabá pede novo transfer ban
Sexta prestação do acordo com credores na CNRD venceu na segunda; credor quer o clube seis meses sem registrar jogadores.

O Corinthians não pagou dentro do prazo mais uma prestação do acordo coletivo firmado na CNRD, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas, tribunal da CBF que julga cobranças entre clubes, atletas e agentes. A sexta parcela, de cerca de R$ 8 milhões, venceu nesta segunda-feira (19), e a diretoria ainda não definiu quando vai quitá-la.
É o segundo atraso seguido. A quinta parcela, que venceu em julho, também continua em aberto e já tinha rendido ao clube uma punição: o transfer ban, que impede o registro de novos jogadores.
O pedido do Cuiabá
Credor principal do processo, o Cuiabá reagiu ao novo calote com um pedido duro à CNRD. Em manifestação enviada à câmara, o clube mato-grossense quer que o Corinthians fique seis meses sem poder inscrever atletas, contados a partir de outubro, e sem a chance de derrubar a sanção caso pague a dívida depois.
“Determine-se a extensão da sanção de proibição de registro de novos atletas, pelo prazo de seis meses, a contar de outubro de 2026, sem possibilidade de suspensão mediante regularização”, diz o texto, que cita o item 90 da Ordem Processual nº 3. Como alternativa, o Cuiabá pede que a punição atual seja prorrogada pelo menos até o fim da janela de registros do começo da temporada de 2027.
A CNRD ainda não respondeu ao pedido.
Como funciona o acordo
Cobrado por outros clubes, por atletas e por agentes, o time paulista aderiu a um plano coletivo de pagamento que foi homologado pela CNRD em abril de 2025. O compromisso soma R$ 76 milhões, a serem pagos a cada três meses durante seis anos. Do valor de cada prestação, 80% vão para o credor principal e 20% pagam os honorários dos advogados.
O histórico do clube com o calendário já era ruim. Nas duas primeiras prestações, a diretoria pagou depois do vencimento, por entender que os cinco dias previstos para apresentar o comprovante serviam também como prazo para depositar o dinheiro. A câmara discordou, aplicou o transfer ban logo após o atraso e manteve a punição mesmo depois de o clube provar, no dia seguinte, que tinha pago. O Corinthians ficou cerca de três meses impedido de registrar reforços.
Outras duas punições da Fifa
Fora da CNRD, a Fifa também proibiu o Corinthians de registrar atletas em outros dois processos. Um deles nasceu do débito com o clube americano Philadelphia Union na negociação do volante José Martínez; essa punição passa de 150 dias. O outro decorre da terceira prestação não paga ao dinamarquês Midtjylland, referente ao volante Charles, no valor de 1 milhão de euros (por volta de R$ 6 milhões).
O que está em jogo
Com as três punições, o Corinthians, presidido por Osmar Stabile desde meados de 2025, chega à reta final do Brasileirão sem poder reforçar o elenco e com o planejamento de 2027 ameaçado se a CNRD atender ao Cuiabá. Em campo, o time empatou por 1 a 1 com o Vitória nesta segunda-feira (19) e interrompeu uma sequência de oito derrotas.
Até a publicação desta reportagem, o clube não havia anunciado data para pagar as duas parcelas em atraso.
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