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Política do Google abre exceção para usar Gmail e Fotos em anúncios

Texto em vigor desde 16/10 diz que não há anúncios com base nesses dados, a menos que o usuário os libere; veja como conferir e desligar.

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Fachada de vidro com o logotipo colorido do Google, vista entre árvores e capim, na sede da empresa em Mountain View
Foto de arquivo: Prédio com o logotipo do Google na sede da empresa, em Mountain View, na CalifórniaFoto: David Nagle (CC BY-SA 4.0)

Resumo

  • A Política de Privacidade do Google, em vigor desde 16/10, só veda anúncios com dados do Gmail e do Fotos se o usuário não os liberar.
  • O recurso Inteligência Personalizada, opcional, cruza e-mails, agenda e fotos para responder perguntas na Busca e no Gemini.
  • Dá para revisar tudo na Minha central de anúncios e nos controles de atividade da conta.

A Política de Privacidade do Google, na versão em vigor desde 16 de outubro de 2026, traz uma frase com uma condição que chamou a atenção de especialistas em privacidade: a empresa diz que não mostra anúncios personalizados com base no conteúdo do Drive, do Gmail ou do Google Fotos, “a menos que você escolha disponibilizar dados desses serviços” para outros serviços da casa que exibem esse tipo de anúncio. A ressalva, que deixa uma porta aberta, ganha peso porque a empresa também amplia o uso de inteligência artificial sobre e-mails e fotos dos usuários.

Não há, até agora, anúncio da empresa de que a prática tenha começado. O que existe é o texto da regra, que passou a prever o caso, e um recurso opcional que pode gerar esse tipo de dado. Entenda os dois lados e veja como conferir o que está ligado na sua conta.

O que diz o texto da política

A seção de publicidade descreve que a personalização pode partir dos seus interesses e do que você faz nos produtos da empresa, conforme as configurações. Quem busca “bicicletas”, por exemplo, pode ver anúncios de artigos esportivos no YouTube.

Há limites listados: temas sensíveis (raça, religião, orientação sexual e saúde) ficam de fora. Sobre Drive, Gmail e Fotos, a promessa é de que o conteúdo não serve de base para anúncios personalizados, exceto quando o usuário opta por disponibilizar esses dados a serviços que exibem esse tipo de anúncio. A política afirma também que nome ou e-mail não são repassados a anunciantes sem pedido do usuário.

Outro trecho trata da Inteligência Personalizada. Se a pessoa autoriza um serviço a ler dados de outro, essas informações podem ser aproveitadas para adaptar a experiência. O exemplo do Google: ao perguntar à Busca sobre uma hospedagem recente, a resposta pode se apoiar na confirmação da reserva que está na caixa de entrada.

Qual é a diferença em relação ao que se dizia antes

Em julho, a Fast Company Brasil publicou reportagem de Jared Newman sobre o tema, em que a política era citada sem a ressalva: “não mostramos anúncios personalizados com base no conteúdo do Drive, Gmail ou Fotos”. A comparação entre as duas citações indica que a condição (“a menos que você escolha…”) é o ponto novo, embora o Google não tenha divulgado, nos documentos consultados, um resumo do que mudou na versão de 16 de outubro; a página de versões arquivadas apenas lista as datas.

Na mesma reportagem, a porta-voz Allie Bodack disse que a empresa não usa dados do Gmail para anúncios segmentados “neste momento” e que, em outros serviços, “esse não é o caso hoje”. Segundo o texto, o Google também afirmou que quem usa a Inteligência Personalizada não vê anúncios no Modo IA da Busca. A matéria lembra ainda que respostas geradas com esses dados passam a integrar o Histórico de Serviços de Busca, que o próprio documento de suporte da empresa diz ser usado para personalizar anúncios.

O que é a Inteligência Personalizada

O recurso, lançado em janeiro e liberado a todos os usuários nos Estados Unidos em março, segundo a reportagem, usa informações do Gmail, do Google Agenda e do Google Fotos para responder perguntas no aplicativo Gemini e no Modo IA da Busca. É opcional e vem desligado: só funciona se a pessoa conectar os serviços. O recurso não está necessariamente disponível em todos os países; vale conferir na conta.

A empresa tem forte interesse no assunto: a Alphabet obteve 73% da receita com publicidade no ano passado, de acordo com a mesma reportagem. Para a Electronic Frontier Foundation, citada no texto, falta clareza ao usuário sobre como os dados são usados.

Como revisar e desligar

Não há ação obrigatória, mas dá para conferir a conta em poucos minutos:

  1. Acesse a Minha central de anúncios (myadcenter.google.com), com a conta logada, e veja se a opção de anúncios personalizados está ativa. Quem a desliga continua vendo anúncios, mas com menos base em seus interesses.
  2. Abra os controles de atividade da conta (myactivity.google.com) e confira se o histórico de pesquisa e de atividade na web está ligado. É ele que alimenta a personalização.
  3. Verifique se há serviços conectados à Inteligência Personalizada, como Gmail, Agenda ou Fotos, e desconecte os que não quiser vincular. Os nomes dos menus mudam conforme o idioma e a versão do aplicativo.
  4. Rode o Check-up de privacidade, ferramenta indicada na própria página da política, para revisar de uma vez as configurações de anúncios, localização e histórico.

O que ainda não está claro

O texto da política não diz quando nem em quais serviços a exceção seria aplicada, nem se haverá aviso ao usuário antes de qualquer uso. Também não explica como o Google trata, na prática, dados que passam por um recurso de IA antes de chegarem ao sistema de anúncios. Nas declarações citadas, a empresa diz que hoje não faz esse uso para anúncios segmentados. Se houver mudança, a regra publicada indica que a decisão dependerá de o usuário liberar os dados.

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