Veritá dá Flávio 51,1% e Lula 48,9%; Eurasia vê 75% de chance do senador
Pesquisa ouviu 15.554 eleitores de 12 a 16 de outubro; consultoria reduziu de 80% para 75% a probabilidade de vitória de Flávio.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na pesquisa Veritá divulgada neste sábado (17). Entre os votos válidos, aqueles que não contam brancos e nulos, Flávio soma 51,1% e Lula, 48,9%, uma diferença de 2,2 pontos percentuais a oito dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Como foi a pesquisa
O instituto ouviu 15.554 eleitores em todo o país entre 12 e 16 de outubro. É uma amostra grande, e por isso a margem de erro é pequena: um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi pago com recursos do próprio instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o protocolo BR-01107/2026, registro obrigatório para pesquisas eleitorais divulgadas.
Para ter uma referência, no primeiro turno, em 4 de outubro, o TSE contabilizou 56,1 milhões de votos válidos para Flávio, ou 47,03%, e 53,8 milhões para Lula, ou 45,16%. Os dois chegam ao segundo turno com os votos dos candidatos eliminados em disputa, e é essa fatia do eleitorado que as pesquisas tentam medir.
Eurasia reduz a chance de Flávio, mas mantém o favoritismo
No mesmo dia, a consultoria de risco político Eurasia Group publicou relatório em que dá 75% de probabilidade de vitória a Flávio no segundo turno. O índice era de 80%. A revisão veio depois de pesquisas de intenção de voto mostrarem que a vantagem do senador diminuiu: segundo a consultoria, a diferença recuou de quase cinco pontos na semana anterior para cerca de três nos levantamentos mais recentes.
A Eurasia diz dar mais peso aos modelos baseados em intenção de voto à medida que a eleição se aproxima. Ela também avalia que a vantagem de Flávio pode estar perto de três pontos quando se consideram só os eleitores com maior chance de comparecer, e que as pesquisas podem subestimar o senador por não captarem por inteiro o efeito da abstenção, o que acrescentaria cerca de um ponto à sua dianteira.
O que a consultoria diz sobre Lula
Para virar o jogo, afirma o relatório, o presidente precisaria de mais de 60% dos votos dos eleitores de candidatos que ficaram fora do segundo turno, ou de atrair quem votou em Flávio no primeiro turno, algo que a Eurasia considera improvável. A análise aponta desvantagem de Lula nos temas segurança pública e corrupção e uma percepção de estagnação econômica entre integrantes da classe média.
Em sentido contrário, a consultoria cita medidas recentes do governo, como a proposta de gratuidade no transporte público, benefícios a pequenos empresários e a redução da jornada semanal de trabalho, que podem diminuir a distância, mas que dificilmente bastariam para inverter o resultado. O relatório também afirma que os ataques da campanha petista, entre eles a associação de Flávio com milícias do Rio de Janeiro e o temor de perda de benefícios sociais, ajudaram a estreitar a disputa, sem elevar de forma significativa a rejeição ao senador.
Como ler os números
Pesquisa não prevê o resultado: mostra o que os entrevistados disseram no período em que foram ouvidos. Institutos usam métodos, amostras e datas diferentes, e a margem de erro vale para cada candidato, não para a diferença entre eles. Outra pesquisa divulgada hoje, a Ipespe/Abrapel, mostrou Flávio com 51,2% e Lula com 48,8% nos votos válidos, números próximos dos da Veritá.
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