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Instituto compara planos de Lula e Flávio sobre racismo e intolerância religiosa

Dossiê do Idafro diz que o plano de Flávio não cita racismo nem terreiro; o Disque 100 teve 2.774 denúncias de intolerância religiosa.

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Pessoas de religiões de matriz africana, vestidas de branco e com turbantes, seguram uma faixa em defesa do Estado laico durante caminhada
Participantes da Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, com faixa em defesa do Estado laicoFoto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Resumo

  • Um dossiê do Idafro compara o que Lula e Flávio Bolsonaro dizem e propõem sobre racismo e racismo religioso.
  • Segundo o instituto, o plano de Flávio não traz termos como racismo, cota, terreiro ou intolerância; a campanha dele não se manifestou.
  • O Disque 100 recebeu 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.

Racismo e intolerância religiosa também entraram na disputa do segundo turno, que termina no domingo (25). O Idafro, entidade que atua pelos direitos das religiões de matriz africana, examinou o que Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) falam e propõem sobre o tema e concluiu que as duas candidaturas estão em lados opostos.

O que o dossiê aponta

O trabalho se chama “Igualdade Racial e Racismo Religioso nas Ações e Posições de Lula e Flávio”, saiu neste mês e pode ser lido na internet, com a lista de fontes. De acordo com o Idafro, Lula admite que a discriminação racial gera desigualdade e propõe aperfeiçoar políticas como cotas, titulação de quilombos e delimitação de terras indígenas. Flávio, na leitura do instituto, rejeita que o racismo exista, tanto nas falas quanto no programa de governo.

A entidade fez a busca em páginas do Congresso, do Planalto e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em reportagens. Segundo ela, o plano de Flávio não traz palavras como “cota”, “racismo”, “negro”, “preto”, “pardo”, “inclusão racial”, “terreiro”, “matriz africana”, “laico”, “intolerância” ou “discriminação”.

Segurança pública e reconhecimento facial

O dossiê também avalia as propostas de segurança sob o ângulo racial. Para o Idafro, a ideia de Flávio de implantar reconhecimento facial amplia o perigo de criminalizar negros, porque estudos no Brasil e fora dele apontariam mais erros com rostos pretos e pardos, o que resultaria em prisões e abordagens indevidas.

Já o programa de Lula, na análise do instituto, põe a proteção dos jovens negros em primeiro plano e prevê medidas para baixar os homicídios, crime em que os negros são a maior parte das vítimas.

Racismo religioso e desinformação

Sobre racismo religioso, o instituto lembra que, em 2024, o governo montou um grupo de trabalho que desenhou a política nacional voltada aos povos de terreiro. A política garantiu a inviolabilidade desses espaços, frequentemente invadidos e destruídos, e incentivou a preservação do patrimônio imaterial.

O material relembra ainda o que ocorreu na véspera do primeiro turno, quando Lula e a primeira-dama, Janja, foram atingidos por boatos: imagens fabricadas com IA de uma suposta oferenda no Planalto, ligação de Janja com rituais satânicos e mentiras sobre tributação de igrejas. O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa de Flávio, aparece no texto por ter divulgado um vídeo de Lula em um terreiro, no qual o presidente era homenageado, e por ter posto em dúvida a fé dele.

“Esse uso estigmatizante das peças atinge os povos de terreiro mesmo quando o alvo declarado é um candidato, e independe de quem seja o beneficiário eleitoral”, diz o instituto.

Números da intolerância

A fé no Brasil é variada: 57% são católicos, 27% evangélicos, 9% sem religião e 1% seguem umbanda ou candomblé, num Estado definido como laico pela Constituição. Mesmo assim, o Disque 100 contabilizou 2.774 denúncias de intolerância religiosa de janeiro de 2025 a janeiro de 2026. O canal pertence ao ministério da área de direitos humanos, funciona o dia todo e não cobra ligação.

Outro lado

O dossiê se baseou no plano de governo e em declarações de Flávio. A campanha do senador não havia se manifestado sobre o levantamento até a manhã desta sexta-feira (23).

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