Amparo, em SP, entra em emergência por febre maculosa e fecha pesqueiro
Quatro homens morreram com suspeita da doença; duas das vítimas frequentavam o local interditado no bairro Chácara São João.

Resumo
- Amparo (SP) decretou emergência em saúde pública por quatro mortes suspeitas de febre maculosa.
- Um pesqueiro no bairro Chácara São João foi interditado; duas vítimas o frequentavam.
- O período de maior risco da doença, transmitida pelo carrapato-estrela, vai até novembro.
A cidade de Amparo, no interior paulista, está em situação de emergência na área da saúde desde esta sexta-feira (23). O decreto da prefeitura foi motivado por quatro mortes que se suspeita terem sido causadas por febre maculosa, todas de homens. Um pesqueiro do bairro Chácara São João foi fechado por precaução: a investigação aponta o lugar como provável ponto de exposição de duas das vítimas.
Pelas datas informadas pelo município, o primeiro óbito suspeito foi em 12 de julho. Os outros três vieram em sequência recente: um em 29 de setembro e dois em 2 de outubro (um deles já havia sido notificado em 1º de outubro). Segundo a prefeitura, a vítima de 29 de setembro frequentava o pesqueiro, e a de 2 de outubro também tem ligação com o local.
Sem esperar o laboratório
O material colhido dos pacientes seguiu para o Instituto Adolfo Lutz, que faz a análise de confirmação. Como o resultado demora, a Secretaria de Saúde pediu à rede municipal que trate os casos com base no quadro clínico e no histórico do paciente, sem aguardar o exame. Enquanto isso não sai, nenhuma das quatro mortes está confirmada oficialmente como febre maculosa. O município não informou prazo para a conclusão da análise.
Ações previstas
Além de fechar o pesqueiro, a prefeitura colocará placas de aviso nos pontos de risco para barrar a entrada de pessoas. Agentes da Vigilância Ambiental vão cortar a vegetação, monitorar e combater carrapatos nessas áreas. Na rede de saúde, os profissionais passarão por treinamento para reconhecer a doença cedo, e a cidade fará campanhas de alerta em unidades de saúde, nos meios de comunicação e nas redes sociais. A prefeitura também apura se há outros locais onde as pessoas possam ter sido infectadas.
A doença e a região
A febre maculosa é provocada pela bactéria Rickettsia rickettsii, que chega ao corpo pela picada do carrapato-estrela. A região de Campinas, onde fica Amparo, tem histórico da doença, e a época de maior perigo de contágio vai até novembro. Entre a picada e os primeiros sinais passam de dois a 14 dias. Febre, dor de cabeça, dores fortes pelo corpo, mal-estar, enjoo e vômito estão entre os sintomas listados pela prefeitura.
Quem deve redobrar a atenção
O alerta vale para quem andou por matas, beiras de rio, parques, pesqueiros ou áreas onde há capivaras. Quem esteve em lugares assim deve ficar de olho no próprio corpo por até duas semanas e, se surgirem sintomas, procurar um serviço de saúde e contar por onde passou.
Como reduzir o risco
A orientação municipal é preferir áreas pavimentadas para caminhar e se exercitar, e evitar sentar ou se deitar na grama e entre folhas acumuladas. Também se recomenda usar roupas claras que cubram o corpo. Depois do passeio, vale examinar a roupa e a pele e tomar banho. Se encontrar o parasita, é preciso tirá-lo com uma pinça, com cuidado, sem apertá-lo.
O decreto dá à prefeitura mais agilidade para reforçar vigilância, controle ambiental e atendimento enquanto os exames não ficam prontos.
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