Karim Aïnouz diz que astros de 'Rosebush Pruning' toparam o filme pelo roteiro
Diretor cearense contou ao g1 como atraiu Elle Fanning e Callum Turner para a sátira sobre uma família americana rica, que estreou nos cinemas do Brasil na quinta (15)
O diretor cearense Karim Aïnouz afirma que a adesão de Elle Fanning e Callum Turner a “Rosebush Pruning” foi movida, acima de tudo, pelo interesse dos atores no roteiro. Falado em inglês e passado na Catalunha, o longa chegou às salas do Brasil nesta quinta-feira (15). O elenco estrangeiro tem ainda Riley Keough, Jamie Bell, Lukas Gage, Elena Anaya, Tracy Letts e Pamela Anderson.
Como o elenco foi formado
Em entrevista ao g1, Aïnouz contou que já queria trabalhar com Fanning e Turner antes mesmo de o projeto ganhar forma e que o entusiasmo dos dois facilitou a escalação. “Houve um apetite muito grande desses atores pelo material”, disse. Segundo o diretor, Elle Fanning almoçou com ele, contou que havia lido o roteiro, escrito por Efthimis Filippou, e que tinha adorado a personagem.
Segundo o cineasta, a atriz tinha vontade de viver uma personagem que entra de fora num grupo fechado e mexe com tudo o que já estava estabelecido. Para Aïnouz, esse tipo de papel é estimulante para quem atua, por permitir viver algo que nunca se fez antes, e ele diz que o mesmo vale para quem dirige.
O que acontece no filme
O filme mostra uma família americana endinheirada e esquisita que vai se desfazendo em meio a episódios absurdos e de moral duvidosa. Os quatro irmãos, vividos por Jamie Bell (Jack), Callum Turner (Ed), Riley Keough (Anna) e Lukas Gage (Robert), ligam mais para as roupas caras do que para o pai, um homem cego e autoritário feito por Tracy Letts.
O equilíbrio muda quando Jack, o mais velho e figura central do grupo, anuncia que vai deixar a casa para viver com a namorada, Martha, papel de Elle Fanning. A decisão dispara uma sequência de acontecimentos inesperados e violentos, que levam à desintegração da família. O título, “Rosebush Pruning”, pode ser traduzido como “poda de roseira”.
Da pandemia ao set
Aïnouz desenvolveu o projeto durante a pandemia, a partir de uma sugestão do produtor Michael Weber. A história é uma releitura de “De Punhos Cerrados”, filme italiano de 1965. O diretor diz que, naquele período de incertezas, encontrou no trabalho uma forma de seguir em frente. “Eu achei que ia morrer, que não ia filmar nada na vida. Como eu posso me salvar?”, lembrou.
Na adaptação, ele usa a sátira para tratar de temas complexos com humor. A direção de fotografia é de Hélène Louvart, e o diretor afirma ter mantido o estilo pessoal visto em seus filmes anteriores, entre eles “A Vida Invisível”, “Praia do Futuro” e “Motel Destino”.
Festival e próximos passos
Antes de chegar aos cinemas do país, “Rosebush Pruning” passou pela 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde foi selecionado para uma mostra do evento. A estreia nacional leva ao circuito brasileiro uma produção internacional dirigida por um cineasta do Ceará, que já tem outros projetos fora do país em vista, entre eles um filme ambientado no Japão.
Para quem quer ver, o longa está em cartaz nos cinemas desde esta quinta. A classificação indicativa e as sessões variam conforme o cinema, e vale consultar a programação da sua cidade antes de ir.
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