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Música

Renato Russo, 30 anos depois: Dado Villa-Lobos e Bonfá falam do amigo e do legado da Legião Urbana

Em reportagem do Fantástico, os ex-companheiros de banda descrevem o cantor como uma 'livraria absurda de textos e música' e dizem que ele seguiria compondo.

Banda se apresenta em palco com faixa da Legião Urbana ao fundo, sob feixes de luz azul
Foto: Nelson R. de Lima Filho/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Trinta anos depois da morte de Renato Russo, a influência do cantor e compositor continua presente na música brasileira. Os músicos Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, parceiros dele na Legião Urbana, relembraram histórias do amigo e refletiram sobre o legado da banda em uma reportagem do Fantástico, da TV Globo. Renato morreu em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos, em decorrência de complicações da aids.

Uma “livraria absurda”

Descrito pelos companheiros como alguém de vasta cultura e senso crítico apurado, Renato era, nas palavras de Dado, uma espécie de “livraria absurda de textos e música”. Bonfá, por sua vez, destacou o humor refinado e a inteligência do cantor, traços que ajudaram a moldar uma das obras mais influentes do rock nacional.

Carioca criado em Brasília, Renato transformou experiências pessoais, reflexões políticas e questões existenciais em letras que continuam encontrando novos ouvintes décadas depois. Canções como “Tempo Perdido”, “Pais e Filhos”, “Eduardo e Mônica” e “Faroeste Caboclo” seguem entre as mais conhecidas do repertório da Legião Urbana.

Por que as músicas continuam atuais

Para Dado Villa-Lobos, a permanência das canções está ligada à capacidade de Renato de escrever sobre temas universais. Segundo o guitarrista, o compositor buscava criar letras que pudessem ser compreendidas em diferentes épocas e lugares, evitando referências excessivamente datadas. Isso ajudou a transformar as músicas em obras que dialogam com públicos de gerações diversas.

Dado e Bonfá apontaram ainda que a Legião Urbana deixou um legado de relevância ética, estética, poética e cultural, capaz de conversar com diferentes momentos da sociedade brasileira.

O poder de comunicação no palco

A força da conexão com o público foi outro ponto lembrado pelos ex-companheiros de banda. No palco, Renato tinha um poder de comunicação raro. “Parecia que ele estava cantando para você”, recordou Bonfá, ao falar da capacidade do cantor de transformar letras pessoais em experiências coletivas.

O que ele estaria fazendo hoje

Questionado sobre o que imaginava para o amigo caso ele estivesse vivo, Bonfá não hesitou. Para o músico, Renato continuaria fazendo o que sempre fez de melhor. “Ele estaria fazendo o que ele sempre fez melhor, que é compor, fazer músicas e cantar”, afirmou.

Para os companheiros de Legião Urbana, é justamente essa produção artística que mantém Renato Russo presente. Três décadas depois, as composições dele continuam ocupando espaço em playlists, programas de televisão e apresentações musicais. A ideia que atravessa a reportagem, e que os dois músicos repetem, é a de que o artista pode ser mortal, mas a arte permanece.

Um nome que segue sendo lembrado

A lembrança de Renato permanece viva não apenas entre amigos e familiares, mas também entre milhões de admiradores que continuam redescobrindo as músicas da Legião, segundo Bonfá.

Quem quiser conhecer ou rever a obra pode começar pelas faixas citadas na reportagem, que atravessam a trajetória do grupo e ajudam a entender por que, trinta anos depois, o nome de Renato Russo ainda é sinônimo de rock brasileiro com letra.

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