Governo projeta metade das rodovias federais sob gestão privada até 2030; hoje são 31%
Ministério dos Transportes prevê 49,5% da malha com concessionárias em 2030 e R$ 218 bilhões em investimentos privados contratados até 2029.
O Ministério dos Transportes projeta que metade das rodovias federais pavimentadas esteja sob gestão privada até 2030. A estimativa foi apresentada na quinta-feira (15), em São Paulo, durante a divulgação dos resultados da pasta. Hoje, 31% da malha rodoviária da União está nas mãos da iniciativa privada, e a expectativa do governo é chegar a 49,5% daqui a quatro anos.
O avanço das concessões
A projeção leva em conta a aceleração do Programa de Concessões de Rodovias Federais, o Procrofe, que concedeu 12.198 quilômetros nos últimos quatro anos. Para comparar: em 2014, a fatia da malha federal operada por empresas privadas era de 7,7%. Dez anos depois, em 2024, chegou a 24%.
O salto maior, porém, ainda está por vir. Segundo a secretária nacional de Rodovias, Viviane Esse, o ano deve terminar com quase 32% da malha sob gestão privada. “Isso é muito relevante, essencial para termos um bom desenvolvimento”, afirmou ela na apresentação.
Quanto as empresas devem investir
O governo calcula em R$ 218 bilhões os investimentos privados em rodovias previstos entre 2023 e 2029. O valor é 69% maior que o aplicado no período de 1993 a 2022, quando o setor privado investiu R$ 129 bilhões em 27 anos. Pelas contas da pasta, portanto, o montante dos próximos sete anos deve superar o dos 27 anteriores.
Viviane Esse destacou que, no ano passado, o investimento privado em rodovias já foi maior que o público. Ela também fez uma ressalva sobre o tamanho da cifra: os R$ 218 bilhões se referem apenas ao que já está contratado até 2029, sem incluir novos estudos. “Talvez o país ainda não tenha a noção do quanto isso vai modificar a nossa infraestrutura rodoviária”, disse.
O que vem em 2027
A carteira de rodovias e ferrovias para 2027 soma investimentos estimados em R$ 102,68 bilhões. Estão previstos 11 leilões para o ano, sendo nove a partir de novos estudos e dois de otimizações contratuais.
O que isso significa para o motorista
Quando um trecho é concedido, a manutenção, a duplicação e a operação da rodovia passam à concessionária, que se paga com a cobrança de pedágio. Por isso, a ampliação da parcela privada da malha, de 31% para perto de 50% em 2030, significa que mais trechos federais passarão a funcionar nesse modelo, com investimento das empresas.
Os números do governo são projeções: dependem do andamento dos leilões e da assinatura dos contratos previstos, e as datas e os trechos de cada licitação seguem o cronograma divulgado pelo ministério. A lista dos editais já leiloados e dos que estão em andamento pode ser consultada na página de concessões rodoviárias do Ministério dos Transportes.
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