Mbappé pede desculpas à China por fala sobre Mao e perde três patrocinadores
Dongpeng, Mengniu e Milkground rompem contratos; LaLiga também se desculpou, e a TV estatal CCTV teria suspendido os jogos.

Resumo
- Mbappé pediu desculpas ao povo chinês por ter dito, numa entrevista, que um meme com seu rosto sobre o de um "ditador chinês" o faz rir.
- Três empresas chinesas romperam contratos com o atacante, e a LaLiga e o presidente Javier Tebas também pediram desculpas.
- A estatal CCTV teria suspendido as transmissões do campeonato espanhol na China, segundo veículo local citado pela imprensa espanhola.
O atacante francês Kylian Mbappé, do Real Madrid, divulgou nesta terça-feira (27) um pedido de desculpas ao povo chinês depois de dizer, numa entrevista, que o meme de que mais ri é uma montagem com o rosto dele no de um “ditador chinês”. O caso, que virou o assunto mais comentado da rede social Weibo, já custou ao jogador três contratos de publicidade na China e levou a LaLiga, a liga espanhola, a se desculpar publicamente.
O que Mbappé disse
A fala foi dada ao programa The Bridge, do canal ESN no YouTube, num jogo de perguntas rápidas. Perguntado qual meme sobre ele mais o diverte, o jogador citou o que sobrepõe seu rosto ao de um ditador chinês e disse que costuma mandá-lo aos amigos. Ele não citou o nome de Mao Tsé-tung, o fundador da República Popular da China, mas a imagem que circula nas redes é a de seu rosto sobre o retrato do líder, morto em 1976 e oficialmente reverenciado no país.
Em comunicado em inglês, francês e chinês, Mbappé escreveu: “Durante uma entrevista recente, reagi a uma imagem minha. Meu comentário foi imprudente, e agora compreendo que ele feriu muitas pessoas na China e em comunidades chinesas ao redor do mundo. Peço desculpas a todos que se sentiram ofendidos pelas minhas palavras”. Ele disse ainda ter “profundo respeito pelo povo chinês e por sua história”.
Patrocínios e transmissões
Três empresas que usavam a imagem do jogador anunciaram o fim imediato da parceria, em comunicados quase idênticos: a fabricante de bebidas Dongpeng, a gigante de laticínios Mengniu e a produtora de queijos Milkground. Elas disseram ter “tolerância zero” com atos e declarações que ferem os sentimentos nacionais. A hashtag sobre a saída da Dongpeng chegou a 430 milhões de visualizações na Weibo.
Guo Jiakun, porta-voz da diplomacia chinesa, afirmou que “qualquer comentário ou ato que fira os sentimentos do povo chinês enfrenta, naturalmente, uma rejeição comum por parte de toda a sociedade chinesa”.
A emissora estatal CCTV teria suspendido, desde a noite de segunda (26), a transmissão do campeonato espanhol e dos jogos ligados a Mbappé, além de retirar anúncios e vídeos dele, de acordo com o veículo local The Paper, que cita fontes ligadas à emissora e foi reproduzido pela imprensa espanhola. É informação atribuída a fontes, e não um comunicado da emissora. O portal esportivo Dongqiudi, um dos maiores da China, disse que não traduziria a entrevista e, na lista da Bola de Ouro 2026, em que Mbappé ficou em segundo lugar atrás de Harry Kane, como o Fato em Dia mostrou, trocou o nome do francês pela expressão “pessoa não encontrada”.
A resposta da LaLiga
Em nota, a liga espanhola lamentou “profundamente a ofensa” causada aos torcedores chineses e disse que os comentários foram feitos “a título pessoal” e não representam a entidade. O presidente da LaLiga, Javier Tebas, pediu desculpas “pessoalmente” aos fãs do país e prometeu um protocolo de conscientização e comunicação com clubes e jogadores para que casos assim não se repitam.
Por que a reação foi tão forte
A China é um dos mercados mais valiosos do futebol europeu, e a imagem de líderes históricos do Partido Comunista é protegida no país: sátiras a “heróis e mártires” são tratadas como crime, num ambiente de forte controle de conteúdo político. O episódio também não é isolado. Em setembro, a imprensa oficial chinesa criticou o Real Madrid por uma mensagem que citava Nepal e Tibete juntos após uma enchente. Em abril, o Barcelona se desculpou depois que uma bandeira de Taiwan apareceu numa página ligada à sua academia internacional. Em fevereiro, o Real Madrid divulgou um pedido de desculpas atribuído ao zagueiro Dean Huijsen por uma republicação considerada ofensiva a asiáticos.
Antes da confusão, Mbappé era presença frequente em publicidade nas cidades chinesas, sobretudo durante a Copa do Mundo de 2026.
O que falta saber
- Se a CCTV vai confirmar a suspensão e por quanto tempo ela vale.
- Se outras marcas patrocinadoras do jogador na China vão seguir o mesmo caminho.
- Se o Real Madrid vai se manifestar sobre o caso.
Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.









