Flamengo contesta na Conmebol a escalação de Rojo e quer decisão antes da final
Em nota, clube diz que Estudiantes entrou em campo ciente do risco; julgamento do caso no CAS está marcado para 12 de novembro.

Resumo
- O Flamengo contesta na Conmebol a escalação de Rojo, do Estudiantes, na semifinal da Libertadores.
- A Conmebol negou duas vezes a inscrição; o CAS liberou o zagueiro sem garantir que não haveria punição.
- O clube quer decisão antes da final de 28 de novembro; o CAS julga o caso em 12 de novembro.
O Flamengo apresentou à Conmebol uma reclamação contra a escalação do zagueiro Marcos Rojo na semifinal da Libertadores, em que foi eliminado pelo Estudiantes nos pênaltis, e quer um veredito antes da decisão de 28 de novembro, contra o Palmeiras. O clube carioca detalhou a posição em nota oficial publicada na noite de sábado (24).
Linha do tempo do caso Rojo
A nota reconstrói o caminho que levou o zagueiro de 36 anos ao Maracanã:
- 2 de setembro: fecha a janela de inscrições de jogadores na Argentina.
- 27 de setembro: Rojo disputa seu último jogo oficial pelo Racing.
- 9 de outubro: o Estudiantes pede à Conmebol que o inclua na lista da semifinal, no lugar de um jogador lesionado.
- 14 e 15 de outubro: a Conmebol, depois de consultar a Fifa, nega a inscrição duas vezes, antes do jogo de volta.
- 16 de outubro: o Estudiantes recorre ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) e inclui o Flamengo como parte do processo.
- 21 de outubro: o CAS autoriza provisoriamente que Rojo jogue, mas nega o pedido do clube argentino para afastar eventuais consequências esportivas e disciplinares da decisão final.
- 22 de outubro: no Maracanã, 0 a 0 no tempo normal e vitória do Estudiantes por 3 a 2 nos pênaltis. Rojo atuou e saiu aos 77 minutos, para a entrada de Tomás Palacios.
O argumento do Flamengo
Segundo o clube, a Fifa informou à Conmebol que as regras sobre períodos de inscrição valem também para transferências dentro de um mesmo país, sem exceções além das previstas no regulamento. Por isso, o Flamengo sustenta que Rojo, que tinha jogado pelo Racing depois do fim da janela, não poderia ser inscrito.
O Flamengo afirma que não deu início a nenhum procedimento sobre a inscrição do jogador e que foi “chamado a integrar” o processo no CAS. Antes da partida, diz ter avisado o tribunal, em manifestação também enviada ao Estudiantes, de que apresentaria a reclamação prevista no regulamento caso o atleta entrasse em campo. Terminada a partida, protocolou a reclamação dentro do prazo, amparada na regra 24.1.b (código disciplinar da entidade sul-americana), solicitando julgamento antes da final.
A nota afirma ainda que os riscos da escolha “ficaram com o clube argentino e o jogador”, já que o CAS tinha negado a garantia de que a escalação não traria consequências. E conclui: “Não se trata de buscar resultado fora de campo. Trata-se de garantir que as regras de uma competição internacional valham igualmente para todos os clubes, de todos os países.”
O que pode acontecer
O julgamento do caso Rojo no CAS está marcado para 12 de novembro, 16 dias antes da final, que será em 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu. O Flamengo diz que vai “aguardar com serenidade a decisão final” e acatá-la com respeito institucional. Se a Conmebol rejeitar a reclamação, a decisão segue como programada, entre Palmeiras e Estudiantes.
Enquanto o caso não é decidido, o Palmeiras já tem garantidos ao menos R$ 81,8 milhões em prêmios só com a vaga na decisão, como mostrou a matéria sobre a premiação da Libertadores.
A reação do Palmeiras
A ofensiva do Flamengo foi criticada pela presidente do Palmeiras, Leila Pereira, no sábado (24), antes da partida contra o Red Bull Bragantino pelo Brasileirão. Para ela, o clube carioca tenta reverter fora de campo uma eliminação que deveria aceitar. “Gente, calcem a sandália da humildade. Reconheçam”, disse a dirigente. “O Palmeiras está na final, o Estudiantes está na final, e eu acho que vai ser um lindo espetáculo em Montevidéu.”
O ponto central da disputa
O debate gira em torno de um fato: Rojo atuou com autorização provisória do CAS, que, segundo o Flamengo, ressalvou expressamente as consequências esportivas e disciplinares. O Estudiantes recorreu ao tribunal justamente para poder escalar o zagueiro, e o Flamengo sustenta que o clube argentino sabia desse risco ao colocá-lo em campo. O desfecho depende de como a Conmebol enquadrar essa situação.
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