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Queimadas no Amazonas

Governo cria Estado-Maior Conjunto e leva 16 aeronaves às queimadas no Amazonas

Reforço traz helicópteros, navios e mais de 600 profissionais; fumaça em Manaus chegou a nível 'muito ruim'.

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O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, de terno azul e óculos, discursa na tribuna do Senado ao lado da bandeira do Brasil
Foto de arquivo: O ministro da Defesa, José Múcio MonteiroFoto: Geraldo Magela/Agência Senado

O governo federal ampliou neste domingo (18) a resposta às queimadas no Amazonas. Entre as medidas anunciadas em Manaus estão a criação de um Estado-Maior Conjunto, reunindo as três Forças Armadas e os órgãos envolvidos, o aumento para 16 aeronaves, o envio de quatro esquadrões de helicópteros e de dois navios, além de mais brigadistas em campo. O fogo avança pelo estado e a fumaça cobre a capital há semanas.

Um comando só para as operações

O anúncio foi feito em coletiva no prédio da Suframa, em Manaus, logo após um encontro de autoridades da União com representantes do governo do Amazonas. A comitiva reuniu os ministros José Múcio Monteiro (Defesa), Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente) e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), além do presidente do Ibama, Jair Schmitt.

Foi Múcio quem determinou a criação do Estado-Maior Conjunto, que começou a funcionar neste domingo. A ideia é reunir em Manaus o planejamento das ações e reduzir a burocracia na hora de decidir e de deslocar equipamentos e pessoal. Segundo o governo, o comando integrado deve dar mais agilidade às operações.

Para o ministro da Justiça, a entrada das Forças Armadas é o ponto central do pacote. “Daremos um salto para outro patamar na resposta para este problema”, afirmou Wellington César Lima e Silva, ao lembrar que Marinha, Exército e Aeronáutica estarão presentes com efetivo. O almirante Paulo Ferreira contou que há perto de 5 mil militares das três Forças no Amazonas, mas ainda não se sabe quantos deles irão direto para o combate ao fogo: esse cálculo segue em andamento.

Mais aviões, helicópteros e navios

A frota aérea destinada às operações no estado passou de seis aeronaves, previstas no começo, para 11 e agora chegará a 16, com cinco novas aeronaves. O reforço inclui um segundo avião KC-390, que pode despejar até 19 mil litros a cada voo e se junta ao primeiro, que leva até 12 mil litros. Dois aviões de apoio logístico seguem de Anápolis (GO) e de São Paulo para a região.

Os quatro esquadrões de helicópteros vão lançar água, levar equipes e dar apoio em áreas de difícil acesso. Os dois navios servirão para transportar militares, brigadistas e material.

O Ibama também aumentará a presença em campo, para 450 profissionais. Somando todos os órgãos, o governo estima passar de 600 pessoas no combate aos incêndios e na fiscalização, ante as 190 anunciadas no início da operação. A Polícia Rodoviária Federal deve patrulhar vias secundárias e apoiar o Ibama, e a Polícia Federal também será mobilizada, com efetivo ainda a definir.

O que já foi feito

Desde que o apoio federal começou, em outubro, cerca de 600 mil litros foram jogados sobre o fogo ao longo de 260 horas de voo. O Ibama diz ter apagado 317 incêndios desde o início da temporada. A Defesa Civil Nacional empenhou cerca de R$ 14 milhões para assistência humanitária, compra de equipamentos de proteção e combate ao fogo e contratação de duas aeronaves extras.

Investigação e intervenção

O ministro da Justiça disse que a Polícia Federal mantém três inquéritos para investigar os incêndios, e que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) trabalha com a PF para avaliar possíveis motivações. Questionado sobre uma eventual intervenção federal no Amazonas, ele respondeu que as medidas anunciadas bastam para enfrentar a situação, sem necessidade desse passo.

Fumaça e saúde em Manaus

O Painel do Fogo, do Censipam, contou 1.892 focos de incêndio no Amazonas entre 1º e 17 de outubro. Às 9h30 de domingo, o ar de Manaus marcou 94,4 microgramas de partículas finas em cada metro cúbico, patamar que a Defesa Civil municipal classifica como “muito ruim”. No sábado (17), a plataforma IQAir chegou a classificar a qualidade do ar como “perigosa”.

Os efeitos já aparecem nos postos de saúde: de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, setembro teve 5.452 atendimentos por problemas respiratórios, contra 4.934 em agosto, aumento de 10,5%. Para reforçar a resposta, o governo federal abrirá na terça-feira (20), em Manaus, uma unidade avançada da Força Nacional do SUS.

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