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Luto na música

Benito Di Paula, o pianista do samba-joia de "Retalhos de Cetim", morre aos 84 anos

Artista de 84 anos lutava contra um câncer e morreu no domingo (18), em São Paulo; sua obra vendeu mais de 50 milhões de cópias.

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Benito Di Paula, de cabelos cacheados e bigode grisalho, sorri para a câmera usando uma camisa branca com listras vermelhas e pretas
Benito Di PaulaFoto: Reprodução/Facebook de Benito Di Paula

O velório de Benito Di Paula será aberto ao público e acontece na terça-feira (20), das 9h às 15h, no Theatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo, região central da capital. O sepultamento está marcado para as 17h, no Cemitério do Morumby, em cerimônia restrita a familiares.

A música brasileira perdeu na noite de domingo (18) Benito Di Paula, pianista, cantor e compositor que dominou as rádios nos anos 1970. Aos 84 anos, ele morreu no Hospital 9 de Julho, na capital paulista, onde estava internado. A assessoria do artista informou que o tratamento contra um câncer durava cerca de um ano.

De Nova Friburgo ao piano das boates

O nome de batismo era Uday Vellozo. Nasceu na cidade fluminense de Nova Friburgo, em 28 de novembro de 1941, e teve o primeiro contato com os instrumentos por meio do pai, José Vellozo, também músico. O nome artístico surgiu ainda na juventude. Antes de firmar carreira em São Paulo, trabalhou como crooner em boates cariocas, e foi na noite que percebeu que o piano podia fazer o papel da batucada.

Estreou no mercado fonográfico em 1967 e lançou o primeiro álbum, “Benito Di Paula”, em 1971. O segundo, “Ela”, veio em 1972 e trouxe o primeiro sucesso, “Violão não se empresta a ninguém”. A consagração, porém, chegou em 1973, com “Retalhos de Cetim”, samba-canção dolente que o projetou para o país inteiro.

O samba-joia e a fase de maior sucesso

Contratado pela gravadora Copacabana, Benito ajudou a popularizar o chamado samba-joia, vertente que juntava a cadência do samba a arranjos românticos e a influências do jazz. Ele próprio não se via como herdeiro da linha de Martinho da Vila ou Paulinho da Viola e costumava se definir como “sambeiro” e “pianeiro”. A maior influência que reconhecia era a obra de Ataulfo Alves.

Entre 1973 e 1977, o auge da carreira, vieram “Charlie Brown” (1974), “Beleza que é você mulher” (1974), “Bandeira do samba” (1975), “Como dizia o mestre” (1975), “Vai ficar na saudade” (1975), “Tudo está no seu lugar” (1976), “Do jeito que a vida quer” (1976), “Assobiar e chupar cana” (1977) e “Proteção às borboletas” (1977). “Mulher brasileira” também está entre as músicas mais lembradas.

Na televisão, apresentou o programa “Brasil Som 75”, na TV Tupi. A imagem era tão marcante quanto o som: cabelos longos e cacheados, bigode, anéis, colares, casacas e gravatas-borboleta nos palcos dos auditórios.

Números e parcerias

O jornal O Globo contabiliza mais de 35 discos lançados, divididos em 24 de estúdio, dois ao vivo e 15 coletâneas, com vendas acima de 50 milhões de cópias. Fez turnês internacionais, e músicas suas foram gravadas por Roberto Carlos, Maria Bethânia, Alcione e Xande de Pilares, entre outros. Sobre as regravações, disse ao jornal em 2024: “Gosto de todas as gravações que fazem das minhas músicas. Cada uma tem seu jeito de interpretação, diferente do meu”.

Homenagens e o filho “guardião”

Aos 80 anos, o artista lançou com o filho, Rodrigo Vellozo, também cantor e pianista, o projeto “Benito 80: Novo Samba Sempre Novo”, com releituras de seus clássicos por novos e consagrados nomes da música. Em 2020, Benito participou da canção “Lágrimas do Meu Sorriso”, do filho, que ele via como uma espécie de guardião da obra: “Ele vai seguir com o meu trabalho, cantando as minhas músicas”, afirmou ao GLOBO.

No Carnaval paulistano de 2025, virou enredo da Águia de Ouro, que desfilou no Anhembi com o tema “Em retalhos de cetim” para celebrar a obra do compositor e o vínculo dele com a comunidade da cidade.

Rodrigo se despediu do pai nas redes com a frase “Te amo, papai”. Benito completaria 85 anos no dia 28 de novembro.

O que fica

Ao anunciar a morte, o jornalista Mauro Ferreira, do g1, definiu o artista como um criador de assinatura própria: o toque percussivo ao piano, avaliou, adiantou de certa forma o pagode paulista dos anos 1990, difundido por grupos como o Raça Negra. “Retalhos de Cetim” e “Charlie Brown” continuam sendo canções que várias gerações de brasileiros sabem cantar.

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