Terceira denunciante de Russell Brand depõe em Londres; ator nega as acusações
Júri de Southwark vê gravação sobre supostos crimes de 2004; comediante responde a sete acusações e nega todas.

O julgamento do comediante britânico Russell Brand, de 51 anos, chegou nesta segunda-feira (19) ao depoimento da terceira mulher que o acusa. No Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, o júri assistiu a uma gravação feita pela denunciante à polícia em 2023, na qual ela descreve o que diz ter vivido em 2004. Brand nega todas as acusações.
Este texto reproduz o que foi dito em juízo e, como em todo processo em andamento, os relatos são alegações que ainda serão avaliadas pelos jurados. A defesa nega os fatos.
As acusações
Brand responde a sete acusações: são três por estupro, outras três por agressão sexual e uma por atentado ao pudor. Elas dizem respeito a seis mulheres e a episódios ocorridos entre 1999 e 2009. Depois de preso, o ator disse à polícia que nunca teve atividade sexual sem consentimento e sugeriu que as mulheres podem ter recriado os episódios na memória. Ele chegou ao tribunal nesta segunda acompanhado da mulher, Laura Brand, no início da segunda semana do julgamento.
O depoimento exibido
A mulher que depôs nesta segunda trabalhava na MTV na época. Ela contou que queria conhecer o comediante porque o via na televisão e o achava engraçado, e que o encontro ocorreu numa festa em um bar de Londres. Em uma gravação emocionada, disse que menos de um minuto depois de começarem a conversar ela foi agarrada por ele, e que em seguida foi puxada pelo braço em direção aos banheiros. “Aconteceu tudo muito rápido”, afirmou.
Em outro trecho, descreveu a reação ao que, segundo ela, aconteceu depois: “Eu simplesmente fechei os olhos e tentei não estar ali”. Também disse que, passados alguns dias, telefonou a um produtor de televisão para avisá-lo de que Brand era um “predador sexual”, e ouviu como resposta: “Não acredito nisso”.
Por que só denunciou em 2023
A denunciante afirmou que levou o caso à polícia em setembro de 2023, 19 anos depois, após o jornal The Times, o Sunday Times e o canal Channel 4 divulgarem acusações de má conduta contra o comediante. Segundo ela, falar sobre o assunto era uma obrigação, porque queria “um mundo melhor” para a filha.
Ela contou que, na época, contou a uma amiga e à própria irmã que o comediante tinha tentado forçá-la a um ato sexual, mas só revelou o que descreve como o ocorrido de fato depois do documentário e da reportagem de 2023. Admitiu ter “reinventado um pouco” a história no início, por vergonha e por medo de ser julgada.
O que já foi dito no julgamento
Na semana passada, a primeira denunciante disse ao tribunal que Brand a estuprou após se encontrarem num evento ligado ao congresso do Partido Trabalhista, em 1999, no sul da Inglaterra. A segunda relatou que, em 2001, o comediante tentou arrastá-la até o banheiro dos homens na MTV Europa, onde ela trabalhava, em Londres. A terceira é a segunda a alegar estupro.
Quem é Brand
Brand ficou conhecido na televisão britânica no início dos anos 2000, apresentando o talk show “Celebrity Big Brother’s Big Mouth”. Venceu prêmios de comédia, entre eles o de melhor revelação masculina no British Comedy Awards, e a partir de 2006 comandou um programa semanal na BBC Radio 2. Foi casado com a cantora americana Katy Perry.
O julgamento deve durar cerca de seis semanas e prossegue com o depoimento das demais denunciantes.
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