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Justiça nega prisão preventiva do vice do Corinthians, Armando Mendonça

Juíza rejeita pedido do Ministério Público e todas as medidas cautelares no caso dos materiais da Nike; audiência é em 10 de novembro.

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Fachada de pedra clara da sede social do Corinthians, com escudo e nome do clube sobre a entrada e carros na calçada
Foto de arquivo: Fachada da sede social do Sport Club Corinthians Paulista, o Parque São Jorge, em São PauloFoto: Rafael Henrique Serra (CC BY-SA 4.0)

Resumo

  • A Justiça negou a prisão preventiva do vice do Corinthians, Armando Mendonça, na noite de quinta (22).
  • A juíza também negou o afastamento do cargo; não vê prova de que ele influenciou a demissão da testemunha.
  • A audiência do processo sobre os materiais da Nike está prevista para 10 de novembro.

Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, não será preso. Em decisão tomada na noite desta quinta-feira (22), a juíza Amanda Eiko Sato, titular da 25ª Vara Criminal, no fórum da Barra Funda, em São Paulo, recusou o pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público e rejeitou também as demais restrições pedidas pelo promotor Cássio Conserino.

O que a promotoria queria

Além de mandar o dirigente para a cadeia, o promotor pedia que ele fosse tirado do cargo que ocupa no clube, ficasse proibido de entrar nas áreas do Corinthians e não pudesse falar com diretores nem com testemunhas. O requerimento chegou à Justiça na sexta-feira (16), depois que o clube desligou Marcelo Munhoes, que chefiava a área de Tecnologia da Informação e é uma das testemunhas mais relevantes da acusação.

Na visão de Conserino, mandar embora essa testemunha pouco antes da audiência de instrução, prevista para o dia 10 de novembro, pode ter sido uma forma de intimidar quem vai depor e de atrapalhar a produção de provas. O promotor lembra que Munhoes levou ao processo os dados técnicos que ajudaram a apontar indícios de desvio de materiais esportivos e argumenta que a demissão pode influenciar também o relato de outros funcionários que ainda serão ouvidos.

Os argumentos da juíza

Ao decidir, Amanda Eiko Sato escreveu que nada nos autos mostra que Armando tenha ordenado, solicitado ou de qualquer modo influenciado a saída de Munhoes. Ela também observou que não há registro de o dirigente ter procurado a testemunha para pressioná-la ou mudar o que ela diria à Justiça.

Para a magistrada, o fato de a demissão ter ocorrido perto da audiência não basta, sozinho, para provar que a investigação corre perigo. Faltavam, segundo ela, elementos concretos que justificassem a prisão ou qualquer outra medida cautelar, e o desligamento aconteceu num ambiente de disputa política e eleitoral dentro do clube.

A decisão tratou ainda de um pedido da defesa, que insistia para que a juíza revisse a recusa anterior em reconhecer suspeição do promotor. Os advogados citaram como novidades uma nota oficial do Corinthians, o próprio pedido de prisão, o contato do promotor com a testemunha e reportagens anexadas ao processo. A juíza concluiu que nada disso indica interesse pessoal de Conserino no resultado, inimizade ou falta de imparcialidade, e destacou que requerer uma prisão está entre as funções do Ministério Público, sempre sob o crivo do Judiciário.

Como o caso começou

Armando se tornou réu em junho. Ele responde pelos crimes de apropriação indébita agravada, em forma continuada e também tentada, de furto qualificado, com abuso de confiança, e de coação durante o andamento da ação.

A origem está numa auditoria interna conduzida pelo então diretor de tecnologia, por solicitação do presidente do clube, Osmar Stabile. O relatório listou falhas na administração dos produtos esportivos recebidos da Nike e apontou o vice-presidente como figura central em parte das ocorrências consideradas irregulares.

Pela denúncia do Ministério Público, o dirigente ficou com 131 itens da Nike, tentou conseguir 19 camisas comemorativas com o patch da NFL, levou oito dessas peças e ameaçou duas testemunhas enquanto a apuração andava.

A resposta de Armando e do clube

O vice-presidente nega qualquer irregularidade. Sua versão é que o descontrole na saída dos materiais vinha da gestão de Augusto Melo, que a administração atual corrigiu o problema e que o relatório da auditoria tem diversas falhas. A defesa de Armando Mendonça não havia se manifestado sobre a decisão até a publicação deste texto. O Corinthians informou que não vai comentar a decisão.

E agora

O processo continua na 25ª Vara Criminal, e as testemunhas devem ser ouvidas na audiência do dia 10 de novembro. Com as medidas negadas, Armando segue no posto de vice-presidente e sem restrição de acesso ao clube.

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