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Corinthians usa dinheiro do fundo da Arena para pôr em dia acordo com a Fazenda

Clube pagou cerca de R$ 8 milhões em parcelas previdenciárias de junho a setembro; outro acordo com a União segue em atraso.

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Interior da Neo Química Arena em dia de jogo, com as arquibancadas lotadas e o gramado sob céu azul
Foto de arquivo: Neo Química Arena, estádio do Corinthians, em dia de jogoFoto: Anderson Bueno Pereira (CC BY-SA 4.0)

Resumo

  • O Corinthians pagou parcelas atrasadas de acordo previdenciário com a PGFN usando dinheiro do fundo da Arena.
  • Foram quatro parcelas, de junho a setembro, somando cerca de R$ 8 milhões.
  • O clube ainda deve parcelas de outro acordo com a União, de dívidas não previdenciárias.

Parte da verba que saiu do fundo imobiliário da Neo Química Arena foi parar nas contas da União: o Corinthians pôs em dia prestações vencidas de um parcelamento de débitos com a Previdência, firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Segundo o próprio clube, tudo está regularizado e esse acordo continua valendo.

Quanto foi pago

O clube pagou quatro prestações, as de junho, julho, agosto e setembro, num total aproximado de R$ 8 milhões. A diretoria temia que a demora pusesse o acordo em risco, e ele é justamente o que garante ao clube condições mais leves para saldar o que deve à União.

De onde veio o dinheiro

Os recursos saíram do Arena Fundo de Investimento Imobiliário, que reúne os ativos do estádio. Uma ata de assembleia do fundo registra a distribuição de aproximadamente R$ 11,2 milhões em rendimentos. O valor equivale a 95% do que havia para repartir referente aos seis primeiros meses de 2026.

O dinheiro foi liberado na semana passada e depois entrou no caixa do clube. Uma parte ficou separada para compromissos financeiros ligados à própria arena, e outra foi usada para colocar em dia as parcelas previdenciárias.

O que ainda está pendente

A conta com o governo federal não está zerada. O Corinthians ainda precisa acertar as parcelas em atraso de um segundo acordo com a União, que trata de dívidas de natureza diferente, sem relação com a Previdência.

Dentro da diretoria, manter os acordos de pé passou a ser tratado como prioridade. A preocupação é evitar que o atraso faça o clube perder as condições negociadas e abra caminho para a cobrança de bens ou de outras garantias oferecidas na negociação. O Parque São Jorge, sede social do clube, foi colocado como garantia na transação tributária.

Um clube pressionado pelas dívidas

O pagamento acontece num momento de aperto financeiro. O endividamento total do clube passa de R$ 2,8 bilhões, e o presidente Osmar Stabile repete que quitar o financiamento do estádio é a principal meta da sua gestão, como mostra a matéria sobre o termo de confidencialidade com a Caixa. Outra frente de cobrança é a do acordo com credores na CNRD, a câmara de disputas da CBF: na segunda-feira (19), o clube deixou vencer uma parcela de cerca de R$ 8 milhões, e o time já cumpre dois transfer bans impostos pela Fifa, como detalha a matéria sobre o pedido de novo transfer ban. Os valores são de acordos diferentes e não se confundem com o pago à PGFN.

Na área esportiva, a semana teve a saída de Marcelo Paz do cargo de executivo de futebol, anunciada na noite de terça-feira (20), conforme a matéria sobre a demissão de Marcelo Paz.

O que muda daqui para a frente

Com as quatro parcelas previdenciárias pagas, o acordo com a PGFN fica de pé, e o risco imediato de ruptura nessa frente diminui. A frente que segue aberta é a das parcelas atrasadas do outro acordo com a União.

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