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J.K. Rowling diz ter recebido ameaças de morte, estupro e tortura desde 2020

Autora de Harry Potter publicou em seu site um novo texto sobre suas posições e afirma que suas opiniões não mudaram.

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J.K. Rowling, de cabelo loiro preso e casaco bege sobre vestido estampado, sorri sentada ao ar livre
Foto de arquivo: J.K. Rowling, autora da série Harry PotterFoto: Daniel Ogren (CC BY 2.0)

Resumo

  • Em novo texto no seu site, Rowling trata de pessoas trans e direitos das mulheres.
  • Ela relata ameaças de morte, estupro e tortura e diz que suas opiniões não mudaram, apesar do assédio.
  • Diz que pessoas trans não devem ser discriminadas e critica o que chama de ativismo trans elitista.

A escritora britânica J.K. Rowling, criadora da série de livros “Harry Potter”, publicou nesta quarta-feira (21) em seu site um novo texto sobre suas posições políticas. No artigo, ela diz que recebeu ameaças de morte, de estupro e de tortura desde que passou a se manifestar sobre o tema, e afirma que suas opiniões continuam as mesmas.

O texto chega seis anos depois de a autora ser alvo de uma onda de críticas por comentários feitos nas redes sociais sobre pessoas trans. Na época, Rowling reagiu a um artigo de opinião do site Devex, voltado ao desenvolvimento global, que falava em criar um mundo mais igualitário depois da Covid-19 “para pessoas que menstruam”. Foi a resposta a esse título, em junho de 2020, que desencadeou a polêmica.

O que ela diz ter vivido

Rowling descreve o período como um preço pessoal. “Desde então, venho pagando o preço. Fui chamada de transfóbica, de ‘cunt’ (vagabunda/canalha), de ‘bitch’ (vadia), de TERF [feminista radical trans-excludente]. Disseram que eu merecia ser cancelada, espancada e morta”, escreveu. Ela relata ainda que uma pessoa lhe disse “Você é o Voldemort”, “claramente achando que essa era a única linguagem que eu seria capaz de entender”.

Ela também explica o que a levou a reagir na rede social. “No final da noite de sábado, enquanto olhava fotos de crianças antes de ir dormir, esqueci a primeira regra do Twitter — nunca, jamais espere uma conversa cheia de nuances — e reagi ao que considerei uma linguagem degradante sobre as mulheres”, contou.

“Era hora de uma atualização”

A escritora explica que decidiu voltar ao assunto porque o contexto mudou e porque sua participação deixou de ser só teórica. Ela cita o apoio de seu instituto, o J.K. Rowling Women’s Fund, a ações judiciais de grupos feministas, o que, em suas palavras, tornou o envolvimento “tanto prático quanto teórico”.

“Minhas opiniões não mudaram, mas o cenário, sem dúvida, mudou; além disso, meu próprio envolvimento com a questão tornou-se tanto prático quanto teórico, por isso achei que era hora de uma atualização”

J.K. Rowling, autora de Harry Potter

No mesmo texto, Rowling reconhece que existem pessoas trans em situação de vulnerabilidade e responde a duas perguntas que ela mesma formula. “Pessoas trans deveriam ser discriminadas no que diz respeito a moradia ou emprego? É claro que não. Pessoas trans deveriam ser privadas de seus direitos humanos ou ter sua segurança pessoal negada? Mais uma vez: é claro que não”, escreveu.

As críticas ao ativismo trans

A parte mais dura do artigo mira o movimento. Rowling afirma que, “há uma década ou mais, ativistas trans e seus seguidores em posições de influência têm insistido — e agido — como se os direitos das mulheres fossem ultrapassados e até mesmo sem sentido”. Para ela, eles criaram “um clima de medo e intimidação no qual um simples pronome usado de forma ‘inadequada’ poderia levar uma mulher a sofrer sanções disciplinares”.

A autora compara o movimento atual com lutas anteriores por direitos civis, de gays e de mulheres, que, segundo ela, foram feitas por “pessoas comuns” que se organizaram na base para desafiar instituições poderosas. “O ativismo trans do século XXI é exatamente o oposto desses movimentos. É, em sua essência, elitista”, afirma.

O pedido final

Rowling encerra o texto dizendo que não escreveu na esperança de que alguém sinta pena dela. “Tudo o que peço — tudo o que quero — é que uma empatia e uma compreensão semelhantes sejam estendidas aos muitos milhões de mulheres cujo único ‘crime’ é desejar que suas preocupações sejam ouvidas, sem que, para isso, precisem sofrer ameaças ou abusos”, escreveu.

O artigo foi publicado no site da própria autora e não em uma rede social. Nele, Rowling mistura o relato do assédio que diz sofrer, a defesa do que considera direitos das mulheres e a resposta às críticas que recebe desde junho de 2020, quando a polêmica começou.

J.K. RowlingHarry PotterPessoas transLiteraturaJ.K. Rowling e o debate sobre pessoas trans

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