J.K. Rowling diz ter recebido ameaças de morte, estupro e tortura desde 2020
Autora de Harry Potter publicou em seu site um novo texto sobre suas posições e afirma que suas opiniões não mudaram.

Resumo
- Em novo texto no seu site, Rowling trata de pessoas trans e direitos das mulheres.
- Ela relata ameaças de morte, estupro e tortura e diz que suas opiniões não mudaram, apesar do assédio.
- Diz que pessoas trans não devem ser discriminadas e critica o que chama de ativismo trans elitista.
A escritora britânica J.K. Rowling, criadora da série de livros “Harry Potter”, publicou nesta quarta-feira (21) em seu site um novo texto sobre suas posições políticas. No artigo, ela diz que recebeu ameaças de morte, de estupro e de tortura desde que passou a se manifestar sobre o tema, e afirma que suas opiniões continuam as mesmas.
O texto chega seis anos depois de a autora ser alvo de uma onda de críticas por comentários feitos nas redes sociais sobre pessoas trans. Na época, Rowling reagiu a um artigo de opinião do site Devex, voltado ao desenvolvimento global, que falava em criar um mundo mais igualitário depois da Covid-19 “para pessoas que menstruam”. Foi a resposta a esse título, em junho de 2020, que desencadeou a polêmica.
O que ela diz ter vivido
Rowling descreve o período como um preço pessoal. “Desde então, venho pagando o preço. Fui chamada de transfóbica, de ‘cunt’ (vagabunda/canalha), de ‘bitch’ (vadia), de TERF [feminista radical trans-excludente]. Disseram que eu merecia ser cancelada, espancada e morta”, escreveu. Ela relata ainda que uma pessoa lhe disse “Você é o Voldemort”, “claramente achando que essa era a única linguagem que eu seria capaz de entender”.
Ela também explica o que a levou a reagir na rede social. “No final da noite de sábado, enquanto olhava fotos de crianças antes de ir dormir, esqueci a primeira regra do Twitter — nunca, jamais espere uma conversa cheia de nuances — e reagi ao que considerei uma linguagem degradante sobre as mulheres”, contou.
“Era hora de uma atualização”
A escritora explica que decidiu voltar ao assunto porque o contexto mudou e porque sua participação deixou de ser só teórica. Ela cita o apoio de seu instituto, o J.K. Rowling Women’s Fund, a ações judiciais de grupos feministas, o que, em suas palavras, tornou o envolvimento “tanto prático quanto teórico”.
“Minhas opiniões não mudaram, mas o cenário, sem dúvida, mudou; além disso, meu próprio envolvimento com a questão tornou-se tanto prático quanto teórico, por isso achei que era hora de uma atualização”
No mesmo texto, Rowling reconhece que existem pessoas trans em situação de vulnerabilidade e responde a duas perguntas que ela mesma formula. “Pessoas trans deveriam ser discriminadas no que diz respeito a moradia ou emprego? É claro que não. Pessoas trans deveriam ser privadas de seus direitos humanos ou ter sua segurança pessoal negada? Mais uma vez: é claro que não”, escreveu.
As críticas ao ativismo trans
A parte mais dura do artigo mira o movimento. Rowling afirma que, “há uma década ou mais, ativistas trans e seus seguidores em posições de influência têm insistido — e agido — como se os direitos das mulheres fossem ultrapassados e até mesmo sem sentido”. Para ela, eles criaram “um clima de medo e intimidação no qual um simples pronome usado de forma ‘inadequada’ poderia levar uma mulher a sofrer sanções disciplinares”.
A autora compara o movimento atual com lutas anteriores por direitos civis, de gays e de mulheres, que, segundo ela, foram feitas por “pessoas comuns” que se organizaram na base para desafiar instituições poderosas. “O ativismo trans do século XXI é exatamente o oposto desses movimentos. É, em sua essência, elitista”, afirma.
O pedido final
Rowling encerra o texto dizendo que não escreveu na esperança de que alguém sinta pena dela. “Tudo o que peço — tudo o que quero — é que uma empatia e uma compreensão semelhantes sejam estendidas aos muitos milhões de mulheres cujo único ‘crime’ é desejar que suas preocupações sejam ouvidas, sem que, para isso, precisem sofrer ameaças ou abusos”, escreveu.
O artigo foi publicado no site da própria autora e não em uma rede social. Nele, Rowling mistura o relato do assédio que diz sofrer, a defesa do que considera direitos das mulheres e a resposta às críticas que recebe desde junho de 2020, quando a polêmica começou.
Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.






