MP-SP dá 48 horas para Prefeitura e organizadoras explicarem mapa do show do BTS
Planta publicada no Diário Oficial mostra duas áreas junto ao palco ausentes do mapa da venda; pacote VIP custou até R$ 4.303.

Resumo
- O MP-SP deu 48 horas à Prefeitura, à Ticketmaster e à Live Nation para explicar o mapa dos shows.
- A planta do Diário Oficial inclui as áreas PIT 1 e PIT 2, ausentes do mapa da venda de ingressos.
- Os shows são nos dias 28, 30 e 31 de outubro, no Morumbis, com ingressos esgotados.
O Ministério Público de São Paulo deu 48 horas para que a Prefeitura da capital e as empresas responsáveis pelos shows do BTS expliquem uma diferença entre dois mapas do evento. De um lado está o mapa mostrado ao público na venda dos ingressos; do outro, uma planta publicada depois no Diário Oficial do município, com duas áreas próximas ao palco que os compradores não tinham visto.
O despacho é da Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital e foi assinado na terça-feira (20). As apresentações do grupo sul-coreano acontecem em 28, 30 e 31 de outubro, no estádio do Morumbis, na Zona Sul, e os ingressos dos três dias estão esgotados.
A diferença entre os mapas
A planta do Diário Oficial inclui as áreas batizadas de “PIT 1” e “PIT 2”, perto do palco. Elas não aparecem no mapa divulgado na venda, que listava como setores a pista, o soundcheck com pacote VIP vinculado à pista, a arquibancada, a cadeira superior e a cadeira inferior.
A dúvida dos consumidores se concentra em quem pagou mais caro. O pacote Soundcheck VIP combina ingresso de pista, entrada antes da abertura dos portões e a chance de assistir à passagem de som. Custou R$ 4.303 na inteira e R$ 3.678 na meia-entrada. Parte dos compradores teme que áreas reservadas diante do palco encolham o espaço pelo qual pagaram.
O que o MP pediu
A Promotoria quer saber da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento por que o Diário Oficial saiu com uma planta diferente, e pede a cópia da versão final entregue à prefeitura. A Ticketmaster Brasil, responsável pela venda, e a Live Nation Brazil Concerts, organizadora dos shows, também precisam justificar a divergência e mostrar qual mapa vale.
Junto com o pedido de explicações, o Ministério Público recomendou às duas empresas que mantenham exatamente os setores e as condições do mapa apresentado na venda. A orientação é não montar áreas para o público em geral, espaços para convidados ou terceiros, nem grades, divisórias ou bloqueios que mudem de maneira relevante o que foi anunciado a quem comprou Pista e Soundcheck Pacote VIP.
Ficam de fora da recomendação as estruturas indispensáveis por motivo técnico, operacional ou de segurança, desde que haja justificativa. O órgão sugere ainda que a planta definitiva seja divulgada antes dos shows, nos canais oficiais e em lugar de fácil acesso, apontando com clareza cada setor e as áreas técnicas, de segurança ou de entrada restrita. Todos os canais de atendimento devem repetir a mesma informação.
Reembolso, se houver mudança
Se não for possível entregar o que foi vendido, seja por razão técnica, de segurança ou outro motivo relevante e justificado, as empresas devem avisar os consumidores com clareza e com antecedência. Quem recusar a alteração deve receber de volta todo o valor pago, corrigido monetariamente, além de outras soluções que o Código de Defesa do Consumidor preveja.
No despacho, a Promotoria registra que as próprias organizadoras já indicaram, em manifestações públicas, que respeitarão o mapa original e que os shows não terão setor PIT. Mesmo assim, o MP lembra que continua sem explicação a razão de o Diário Oficial ter publicado outra planta. O texto também aponta uma inconsistência: uma mensagem atribuída ao atendimento oficial da Live Nation Brasil mencionava “acesso ao PIT”, e uma resposta parecida, dada depois, deixou a expressão de fora.
O Ministério Público considera duas possibilidades para a planta da prefeitura: ela teria finalidade só técnica, operacional ou de segurança, ou houve um erro. Até a noite desta quarta-feira (21), a prefeitura e as empresas não tinham respondido aos pedidos de posicionamento sobre o despacho.
O peso dos shows para a cidade
A estimativa da SPTuris, empresa municipal de turismo e eventos, é que as três noites movimentem mais de R$ 330 milhões na economia paulistana, somando bilheteria e gastos de visitantes. O público previsto é de 253,3 mil pessoas, e a receita bruta com ingressos chega a quase R$ 260 milhões, calculada a partir dos preços divulgados pela Ticketmaster.
Pelas contas da SPTuris, cerca de 20% do público desse tipo de evento vem de fora da cidade. No caso do BTS, isso equivale a mais de 50 mil turistas, cada um gastando em média R$ 1.500, o que soma R$ 75 milhões em hotéis, restaurantes, transporte e comércio. A Ticketmaster informa que a compra, realizada em abril, atraiu mais de 630 mil pessoas e gerou uma procura acima de 1,2 milhão de ingressos. A bilheteria zerou em menos de uma hora e meia.
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