Rebeca Andrade é tricampeã mundial do salto e chega à 10ª medalha em Mundiais
Em Roterdã, a ginasta brasileira vence a final com média de 14,466 e se torna a primeira do país com três títulos na mesma prova.

Resumo
- Rebeca Andrade venceu a final do salto no Mundial de Roterdã e é tricampeã da prova, com média de 14,466.
- É a primeira brasileira com três títulos mundiais na mesma prova e a segunda mulher a ter três ouros no salto, depois de Cheng Fei.
- A ginasta chega a dez medalhas em Mundiais, quatro delas de ouro, e deixa o Cheng, seu salto mais difícil, para as próximas competições.
Rebeca Andrade voltou a ser a melhor do mundo no salto. Na final disputada neste sábado (24), em Roterdã, na Holanda, a ginasta de 27 anos somou média de 14,466 pontos e conquistou o terceiro título mundial da prova, repetindo os ouros de 2021 e de 2023. A medalha devolve o Brasil ao pódio de um Mundial de ginástica artística, depois de um 2025 sem presença entre os três primeiros.
Como foi a decisão
Rebeca foi a sexta a saltar na decisão, posição definida por sorteio antes da fase classificatória; Yeo Seojeong abriu a disputa. No primeiro voo, um Yurchenko com dupla pirueta, ela recebeu 14,400; no segundo, um Lopez, marcou 14,133. A americana Claire Pease ficou com a prata, com média de 14,233 (14,366 e 13,700), e a compatriota Skye Blakely levou o bronze, com 14,166. A sul-coreana Yeo, considerada a maior rival da brasileira, teve uma queda e terminou na sétima colocação.
Na classificatória, a brasileira já tinha sido a primeira, com média de 14,533, contra 14,483 de Yeo. Esse resultado ficou muito perto da maior nota do mundo em 2026, os 14,549 que a própria Rebeca conseguiu no Pan-Americano.
Estratégia e o salto que ficou guardado
Antes da final, o técnico Francisco Porath, o Xico, havia dito que a posição no sorteio daria uma vantagem. “Vai ser estratégico, porque ela é a sexta menina a competir. Vamos ter esse trunfo de saber quanto ela precisa”, afirmou. A possível carta na manga era trocar o Lopez pelo Cheng, salto de dificuldade 5,6 que Rebeca não faz em competição desde os Jogos de Paris, em 2024.
A troca não foi necessária. Os dois saltos escolhidos tiveram execução sempre acima de 9,300, e a ginasta venceu sem antecipar a volta do Cheng. A estratégia segue o plano de retomar o nível aos poucos, com o objetivo de chegar bem a Los Angeles 2028, depois do ano sabático que ela tirou após o desgaste de Paris.
O que o título representa
Rebeca se tornou a primeira brasileira com três títulos mundiais numa mesma prova. Até aqui, o país só contava com duas pessoas bicampeãs numa mesma prova de Mundial: a própria Rebeca, no salto, e Diego Hypolito, no solo. No salto feminino, ela é a segunda tricampeã mundial da história: a chinesa Cheng Fei já tinha chegado lá, algo que nem Simone Biles, bicampeã da prova, conseguiu.
Com o ouro deste sábado, Rebeca chega a dez medalhas em Mundiais, quatro delas de ouro — além dos três do salto, o do individual geral em 2022. Somadas às seis medalhas olímpicas, duas de ouro, as marcas a colocam entre as dez ginastas com mais pódios em provas individuais da história, empatada na nona posição com a soviética Yelena Shushunova.
Biles na arquibancada
A final teve a presença de Simone Biles como convidada de honra do campeonato. Aos 29 anos, a americana está afastada das competições desde Paris; ela não confirmou o retorno, mas também não descartou os Jogos de Los Angeles. Os Estados Unidos já garantiram vaga para a equipe feminina com a prata por equipes na Holanda; o Brasil terminou a disputa coletiva em quinto lugar.
Depois da prova, Rebeca, que competiu de azul, sua cor da sorte, falou da satisfação com o resultado. “Esse ouro mostra que tudo que a gente tem feito da melhor maneira possível está dando certo”, disse a ginasta. Ela completou: “Não fiz os saltos mais difíceis da minha carreira, mas isso foi suficiente para trazer o ouro”.
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