Prazo da Eagle para evitar diluição na SAF do Botafogo termina neste sábado
Sem aporte de R$ 980 mil até o fim do dia, empresa de Textor fica com 0,82% e o clube social passa a ter 99,18% das ações.

Resumo
- A Eagle tem até este sábado (24) para exercer o direito de preferência sobre as novas ações da SAF do Botafogo.
- Sem o pagamento de R$ 980 mil, a empresa cai para 0,82% e o clube social chega a 99,18% do capital.
- A diluição abre caminho para a venda da SAF à GDA Luma, do mexicano Gabriel de Alba.
Acaba neste sábado (24) a janela de que a Eagle Bidco dispõe, firma montada pelo americano John Textor que já controlou a SAF do Botafogo, use a prioridade que tem para subscrever as ações novas da sociedade. Se não houver pagamento até o fim do dia, a participação da Eagle será diluída e o Botafogo associativo, o clube social, passará a controlar quase todo o capital da SAF.
O que está em jogo
Em setembro, uma Assembleia Geral Extraordinária aprovou um aumento do capital social com a emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias Classe B. Na reunião, o presidente do clube, João Paulo Magalhães Lins, avisou que o Botafogo exerceria o direito de preferência sobre 51% dessas ações, o equivalente a 102 milhões de papéis. O clube social quitou a sua parcela já na manhã seguinte, com um depósito pouco acima de R$ 1 milhão.
A Eagle ganhou, então, 30 dias corridos para fazer o mesmo, prazo previsto no edital da assembleia. Para ficar com os 49% restantes, ou 98 milhões de ações, a empresa teria de depositar R$ 980 mil. Até a sexta-feira (23), não havia nenhuma iniciativa dela para adquirir os papéis.
O silêncio da Eagle
No dia da assembleia, a Cork Gully, administradora judicial da Eagle, mandou um primeiro e-mail ao clube pedindo esclarecimentos. Depois disso, houve vários contatos nas últimas semanas, mas nenhum passo concreto para comprar as ações. A administradora ficou meses sem procurar dirigentes do clube e da sociedade anônima, e o reaparecimento depois da assembleia criou a expectativa de que a Eagle pudesse, no fim, pagar pelos 49%.
E se a Eagle não pagar?
Sem o exercício da preferência, haverá uma “sobra” de ações. O Botafogo associativo, que já disse ter interesse em ficar com o restante, poderá comprá-las em até cinco dias contados a partir do término do período da Eagle. Por ora, a diretoria espera esse encerramento para seguir com o trâmite.
Se a Eagle não comprar e o clube social ficar com as 200 milhões de ações novas, a conta é simples: a previsão é que o Botafogo de Futebol e Regatas (BFR) passe a ter 99,18% da SAF, e a Eagle, apenas 0,82%. O clube deixaria de ser sócio minoritário para se tornar o acionista majoritário, com a antiga controladora reduzida a uma fatia irrisória.
O caminho para a venda à GDA Luma
A diluição tem efeito prático sobre a negociação da SAF. A venda do controle para a GDA Luma, do empresário mexicano Gabriel de Alba, fica mais fácil se a Eagle perder peso. Com a empresa reduzida a uma fatia mínima, a operação poderia ser feita de forma simples, só com a transferência das ações.
Se a Eagle mantivesse um percentual maior, o clube social teria de acionar o chamado direito de “drag along”, mecanismo que permite ao acionista majoritário obrigar os minoritários a vender suas ações a um determinado comprador. Com a diluição, esse passo deixa de ser necessário.
O momento em campo
Enquanto o desfecho societário se aproxima, o time joga neste sábado, às 16h30, diante do Internacional, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, pela 32ª rodada do Brasileirão. O time carioca é o 11º colocado, com 39 pontos, e Tite deve manter a equipe, o que significa Marçal como zagueiro e Tiquinho Soares como centroavante.
Próximos passos
O primeiro marco é a virada do dia: se a Eagle não aportar os R$ 980 mil, o Botafogo associativo terá cinco dias para subscrever as ações restantes. Só depois dessa etapa a participação final de cada lado ficará definida e a venda para o grupo mexicano poderá avançar.
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